Ross Ulbricht, criador da extinta plataforma Silk Road, recebeu no último sábado (31) uma doação de 300 bitcoins, equivalente a cerca de R$ 177 milhões. A transação ocorreu após sua primeira aparição pública desde que foi perdoado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no início de 2025. Ulbricht cumpria duas penas de prisão perpétua, além de mais 40 anos de detenção.
A expressiva doação, realizada após sua participação na conferência Bitcoin 2025, gerou especulações sobre a origem dos recursos. Desde janeiro, quando recebeu o perdão, Ulbricht já havia arrecadado mais de R$ 1,6 milhão em doações. A nova transferência, porém, chamou atenção pelo montante e pelo anonimato do doador.
Investigadores sugeriram que os bitcoins vieram de saídas do Jambler, um serviço centralizado de mistura de criptomoedas, raramente usado em transações desse porte. ZachXBT, analista especializado em rastreamento de criptoativos, identificou que parte dos fundos tem origem em movimentações de corretoras entre 2014 e 2019, mas não há conexão direta com a Silk Road. Ele descartou a hipótese de que Ulbricht tenha enviado os bitcoins a si mesmo, como chegaram a cogitar alguns usuários.
Durante a conferência, Ulbricht discursou por 30 minutos, defendendo valores como liberdade, descentralização e igualdade no ecossistema do Bitcoin. “O Bitcoin não funciona sem liberdade. Com ele, todos estão em pé de igualdade”, afirmou. Ulbricht também refletiu sobre os 12 anos que passou preso, destacando a importância da liberdade.
A generosa doação foi interpretada como um gesto simbólico, possivelmente feito por um antigo usuário da Silk Road ou por alguém impactado pelo discurso. A apresentação completa está disponível online.
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