A Ripple, empresa de blockchain focada em pagamentos com forte associação ao XRP Ledger, anunciou nesta terça-feira (17) uma expansão significativa de seus serviços no Brasil — e a intenção de solicitar uma licença VASP (Virtual Asset Service Provider) junto ao Banco Central do Brasil (BCB).
A movimentação coloca a Ripple em conformidade com o novo Marco Regulatório das Criptomoedas do país e reforça a aposta da empresa no mercado brasileiro como um dos mais importantes da América Latina.
Serviços expandidos: de pagamentos a custódia
A nova oferta da Ripple combina pagamentos internacionais, custódia de ativos digitais, corretagem e ferramentas de gestão de tesouraria em um pacote integrado. O alvo são bancos e fintechs que buscam movimentar dinheiro entre fronteiras, manter criptoativos em custódia e gerenciar liquidez — tudo em um único sistema.
“A América Latina sempre foi um mercado prioritário para a Ripple — não apenas pela escala da oportunidade, mas porque o Brasil construiu um dos ecossistemas financeiros mais avançados e visionários do mundo”, afirmou Monica Long, presidente da Ripple.
Parceiros brasileiros já integrados
A empresa destacou que diversas instituições brasileiras já utilizam sua infraestrutura:
- Banco Genial — processa transferências em dólar no mesmo dia via rede Ripple
- Braza Bank — utiliza o sistema para fluxos de câmbio e lançou uma stablecoin lastreada em real no XRP Ledger
- Nomad — movimenta fundos entre Brasil e EUA com liquidação em stablecoins
- CRX e Justoken — usam a infraestrutura de custódia para emissão de ativos tokenizados, incluindo commodities
Expansão global agressiva
O avanço no Brasil faz parte de uma estratégia global acelerada da Ripple, que recentemente concluiu a aquisição da Hidden Road (prime brokerage) por US$ 1,25 bilhão e da GTreasury (gestão de tesouraria corporativa) por US$ 1 bilhão.
A empresa também emite a stablecoin RLUSD, atualmente com cerca de US$ 1,5 bilhão em circulação, por meio de sua divisão de custódia. No total, a Ripple já processou mais de US$ 100 bilhões em transações em seu ecossistema de pagamentos.
Recentemente, a companhia iniciou um programa de recompra de ações que avaliou a empresa em US$ 50 bilhões.
O que isso significa para o mercado brasileiro
A solicitação de licença VASP ao Banco Central é um sinal claro de que a Ripple leva a sério a regulação brasileira. Se aprovada, a empresa poderá operar sob supervisão direta do BCB, oferecendo serviços regulados de custódia, corretagem e pagamentos com ativos digitais.
Para o mercado cripto brasileiro, a entrada regulada de um player do porte da Ripple pode acelerar a institucionalização do setor e servir como referência para outras empresas internacionais que buscam entrar no país.
O Brasil já conta com mais de 850 empresas operando no setor cripto e vem construindo um arcabouço regulatório robusto — o que torna o país particularmente atrativo para grandes players globais.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





