O consultor financeiro Ric Edelman, fundador da Edelman Financial Engines e gestor de US$ 300 bilhões, defendeu publicamente uma nova abordagem para alocação de ativos: entre 10% e 40% em criptomoedas, com destaque para o Bitcoin. A recomendação marca uma mudança significativa em relação à visão anterior do próprio Edelman, que, em 2021, indicava exposição de apenas 1%.
No relatório publicado em 20 de junho, Edelman propõe o abandono da estratégia clássica 60/40 (ações e renda fixa), argumentando que o cenário atual exige uma revisão estrutural dos portfólios. Ele cita como razões a consolidação do mercado cripto no setor financeiro tradicional, o desempenho histórico superior do Bitcoin e o avanço das regulamentações no setor.
“Não faz sentido ignorar uma classe de ativos que superou todas as outras por 15 anos consecutivos”, escreveu. Segundo Edelman, carteiras que incluem Bitcoin apresentaram maior retorno com menor risco, conforme métricas da Teoria Moderna de Portfólio.
Três perfis, três níveis de exposição
Com base no perfil de risco, o consultor recomenda as seguintes alocações:
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Conservador: 10% em criptomoedas, 60% em ações, 30% em renda fixa
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Moderado: 25% em criptomoedas, 50% em ações, 25% em renda fixa
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Agressivo: 40% em criptomoedas, 40% em ações, 20% em renda fixa
Edelman afirma que ignorar o Bitcoin atualmente equivale a subestimar o impacto de tecnologias disruptivas. Ele cita o colapso de empresas tradicionais como Blockbuster e Kodak como exemplos de modelos que não acompanharam a inovação.
Bitcoin a US$ 500 mil até 2030?
O relatório também traz uma projeção ousada: Edelman estima que o Bitcoin poderá atingir US$ 500 mil até o fim da década, apoiado por um desequilíbrio crescente entre oferta e demanda. No primeiro trimestre de 2025, empresas listadas em bolsa adquiriram mais do que o dobro dos novos bitcoins minerados no mesmo período.
Além disso, Edelman aponta o aumento da longevidade como um fator que exige portfólios mais agressivos. Segundo ele, muitos investidores podem viver até os 100 anos, e os planos tradicionais de aposentadoria não estão prontos para essa nova realidade.
“Prolongue seus cálculos de planejamento financeiro até os 110 anos e verá que muitos ficarão sem dinheiro antes do fim da vida.”
Criptomoedas e tecnologia como tendência central
O consultor também destaca outros setores com grande potencial de valorização nos próximos anos, como inteligência artificial, robótica, drones, esportes eletrônicos e tokenização de ativos. Para ele, esses setores, junto ao Bitcoin, formarão a espinha dorsal de uma nova fase da economia.
Edelman ainda critica o comportamento contraditório de parte dos consultores financeiros: metade possui criptomoedas, mas apenas 20% recomenda o ativo a seus clientes.
“É uma questão de tempo até que a maioria reconheça que a inclusão de criptoativos é uma necessidade, não uma opção.”
A visão de Edelman repercutiu entre especialistas. Eric Balchunas, analista de ETFs da Bloomberg, chamou a publicação de “a declaração mais impactante sobre criptomoedas desde Larry Fink, da BlackRock”.
Com crescimento de adoção, escassez estrutural e respaldo institucional cada vez maior, Edelman reforça que a presença do Bitcoin em carteiras de investimento tende a se tornar um novo padrão.
