O Reino Unido corre o risco de ficar para trás na corrida pela liderança global no setor de criptomoedas, segundo executivos ouvidos pela CNBC. Embora o país declare desde 2022 a intenção de se tornar um centro mundial de ativos digitais, especialistas afirmam que a lentidão na regulamentação tem prejudicado o ambiente de inovação e investimentos.
Na última semana, o governo britânico iniciou apenas a fase de consulta pública sobre uma nova legislação voltada ao setor, enquanto outras regiões já avançaram significativamente. A União Europeia, por exemplo, já implementou o regulamento MiCA (Mercados de Criptoativos), que estabelece regras claras para toda a zona do euro. Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump tem adotado uma postura favorável ao setor, promovendo iniciativas para afrouxar a regulação e apoiar a legislação sobre stablecoins.
“Os EUA estão à frente no ritmo da inovação, apesar de seus próprios desafios”, disse Jaidev Janardana, CEO do banco digital Zopa. “Ainda superamos a União Europeia, mas não podemos nos acomodar”, completou.
Empresas como Ripple e ClearBank também expressaram frustração com a ausência de diretrizes claras, o que tem freado projetos promissores. O CEO da ClearBank, Mark Fairless, afirmou que a empresa tem planos para lançar sua própria stablecoin, mas que depende de definições do Banco da Inglaterra para seguir adiante. “As stablecoins fazem parte da nossa estratégia de médio e longo prazo”, disse.
Apesar do cenário desafiador, executivos ainda veem o Reino Unido como um local com grande potencial para negócios em blockchain. “Temos um ecossistema forte e talento qualificado, mas isso precisa continuar evoluindo”, destacou Lisa Jacobs, CEO da plataforma Funding Circle.





