O Banco Central do Brasil destacou que a Rayls, solução de privacidade desenvolvida pela Parfin, é atualmente uma das mais avançadas no piloto do Drex, moeda digital brasileira. A afirmação foi feita por Henrique Videira, executivo da autoridade monetária, durante painel na TokenNation.
Segundo Videira, o Rayls apresentou desempenho significativo na primeira fase de testes e foi aprimorado na etapa seguinte, sendo usado em novos casos de uso. Contudo, ele reforçou que o Drex não adotará uma única solução de privacidade. A escolha das tecnologias será feita conforme a natureza de cada operação, considerando aspectos como velocidade, robustez e segurança.
No exemplo de transações imobiliárias, Videira explicou que a privacidade precisa ser elevada, mas a velocidade não é crítica. Já em operações de grande volume, como recebíveis de cartão de crédito, o foco é garantir privacidade sem comprometer a escalabilidade. Por isso, o Banco Central estuda caso a caso, buscando soluções específicas para cada demanda.
Na segunda fase do piloto, foram priorizados casos de uso capazes de gerar benefícios concretos, como eficiência operacional, redução de custos e mitigação de riscos, especialmente os relacionados à dependência de intermediários.
Videira destacou ainda o potencial do Drex em mercados como o trade finance, importante para o agronegócio. A proposta é permitir que produtores negociem diretamente com compradores internacionais, integrando logística, precificação e financiamento de maneira digital e segura.
Outro exemplo citado foi o mercado secundário de liquidez, onde a negociação de ativos pode ocorrer em tempo real, com mais transparência e menos burocracia, eliminando a necessidade de intermediários.
Para o Banco Central, a infraestrutura unificada baseada em blockchain permitirá manter ativos tokenizados no mesmo ambiente, com ganhos em liquidez, transparência e segurança. Além disso, será possível criar carteiras de investimento mais diversificadas, incorporando ativos reais como imóveis e automóveis.
Videira também ressaltou que o Drex pode impulsionar o crédito no país, ampliando o acesso a financiamento e reduzindo riscos operacionais. A interoperabilidade, no entanto, representa um dos principais desafios. Como o Drex é uma rede permissionada, não pode depender de bridges cross-chain, comuns em blockchains públicas.
Para enfrentar esse obstáculo, o Banco Central desenvolve, em parceria com instituições como a Universidade Federal do Rio de Janeiro, soluções de interoperabilidade compatíveis com a arquitetura do Drex, garantindo segurança e autonomia.
O projeto também avança em alinhamento com a regulação vigente e reforça medidas de segurança cibernética para antecipar potenciais riscos.
Videira concluiu afirmando que o Drex é uma iniciativa estratégica e complexa, que demanda integração entre tecnologia, regulação e diversas instituições nacionais e internacionais, como a CVM, o FMI e autoridades monetárias estrangeiras.
Co-Owner e consultor de Tokenização na Tokenizem





