O petróleo registrou nesta segunda-feira (9) a maior alta percentual em um único dia da história do mercado de commodities, e os traders que apostavam contra o preço do barril em plataformas crypto pagaram caro por isso.
Contratos perpétuos tokenizados de petróleo na Hyperliquid acumularam quase US$ 40 milhões em liquidações nas últimas 24 horas, segundo dados da Coinglass. Desse total, US$ 36,9 milhões vieram de posições short — apostas na queda do preço — que foram obliteradas conforme o crude disparou cerca de 30%.
Conflito no Oriente Médio escala dramaticamente
O catalisador foi um fim de semana que foi de ruim a catastrófico. O Irã nomeou Mojtaba Khamenei como novo líder supremo, substituindo seu pai morto na onda inicial de ataques. Israel lançou uma nova rodada de bombardeios contra infraestrutura iraniana e do Hezbollah.
Mísseis e drones iranianos expandiram os alvos para além de Israel, atingindo a Arábia Saudita e o Bahrein, com dois mortos nas proximidades de Riad e ataques direcionados à infraestrutura energética. A produção de petróleo do Iraque caiu cerca de 60%, e o tráfego de navios-tanque pelo Estreito de Ormuz praticamente colapsou.
Hyperliquid como termômetro em tempo real
O contrato CL-USDC na Hyperliquid saltou para US$ 114,77, uma alta de quase 20% em 24 horas. O par USOIL-USDH bateu US$ 135, com alta de 9% no dia, após já ter disparado durante a semana.
O open interest no contrato CL-USDC estava em US$ 195 milhões com US$ 570 milhões em volume de 24 horas — números que seriam impensáveis para um produto tokenizado de commodity há um ano.
Traders estão cada vez mais usando mercados perpétuos crypto para expressar visões macro sobre petróleo, metais e moedas, atraídos pelo acesso 24/7, margens menores e a capacidade de operar nos fins de semana, quando os mercados tradicionais de commodities estão fechados.
Quando mísseis começam a voar num sábado, o contrato de petróleo da Hyperliquid é um dos únicos lugares no mundo onde se consegue exposição alavancada ao crude.
G7 discute liberação de reservas estratégicas
O rally do petróleo encontrou seu primeiro obstáculo real quando o Financial Times reportou que ministros de finanças do G7 discutiriam uma liberação coordenada de reservas emergenciais de petróleo através da Agência Internacional de Energia (AIE).
Três países do G7, incluindo os EUA, já expressaram apoio ao plano. Após a notícia, o contrato CL-USDC na Hyperliquid recuou de US$ 118 para US$ 102,83 — ainda em alta de 7,2% no dia, mas bem abaixo das máximas.
Se materializada, a liberação de reservas seria a intervenção coordenada mais significativa no mercado de petróleo desde a guerra Rússia-Ucrânia em 2022.
Bitcoin segura firme em US$ 67 mil
Apesar do caos nos mercados tradicionais — o Nikkei japonês caiu mais de 6%, o Kospi sul-coreano recuou 8% —, o Bitcoin se manteve relativamente estável perto de US$ 67.300, revertendo uma queda momentânea para US$ 66.900.
No mercado crypto mais amplo, 94.058 traders foram liquidados nas últimas 24 horas, com perdas totais de US$ 364,4 milhões. O Bitcoin respondeu por US$ 156,67 milhões, Ethereum contribuiu com US$ 70,88 milhões e Solana adicionou US$ 19,8 milhões. A maior liquidação individual foi uma posição BTC-USD de US$ 6,88 milhões na Hyperliquid.
Os analistas apontam que os EUA têm exposição limitada a choques de petróleo em comparação com décadas passadas, o que pode estar ajudando o Bitcoin a resistir melhor que as bolsas asiáticas.
O que observar agora
O mercado entra na semana com três variáveis críticas: a resposta do G7 com reservas estratégicas, a evolução do conflito no Estreito de Ormuz e se o Bitcoin conseguirá manter o suporte de US$ 66 mil enquanto os mercados tradicionais digerem o choque energético.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





