O Paraguai quer transformar um passivo recorrente do combate à mineração clandestina em um ativo controlado pelo Estado. A ANDE, estatal de energia elétrica do país, firmou um acordo com a empresa Morphware para reaproveitar máquinas de mineração apreendidas em operações contra fazendas ilegais e colocá-las para funcionar em ambientes regulados, alimentados por energia hidrelétrica associada ao sistema de Itaipu.
A proposta parte de uma constatação prática: o país acumula grandes estoques de ASICs confiscados em ações contra furto de energia e irregularidades cadastrais. Em vez de deixar os equipamentos parados, a ANDE quer instalá-los em locais sob controle da concessionária e extrair receita dessa capacidade computacional. Segundo a Morphware, o plano piloto começa com cerca de 1.500 máquinas.
Um detalhe central do desenho é a gestão de risco. O governo não pretende manter exposição direcional ao Bitcoin: a ideia, segundo o relato atribuído ao fundador da Morphware, é operar com hedge, potencialmente vendendo produção no mercado (via instrumentos de derivativos) para neutralizar a volatilidade. Em termos econômicos, o projeto tenta se comportar mais como monetização de excedente energético e infraestrutura do que como aposta de tesouraria em BTC.
O contexto favorece esse tipo de iniciativa. O Paraguai já aparece como um polo relevante de mineração, com cerca de 4,0% do hashrate global na atualização do Hashrate Index de janeiro de 2026, sustentado por energia relativamente barata e matriz fortemente hidrelétrica. E o país tem histórico de operações para desmontar estruturas ilegais, incluindo casos emblemáticos de desvio de energia.
Estratégia com nosso especialista em crescimento de comunidade
A estratégia aqui é comunicar “risco zero de tesouraria e ganho de eficiência pública”, sem parecer propaganda. O especialista faria conteúdo em três camadas. Primeiro, explicar em linguagem simples a diferença entre “minerar como Estado” e “fazer reserva de Bitcoin”, destacando o hedge e a conversão/neutralização de exposição. Segundo, mostrar o benefício público: reaproveitamento de ativos confiscados, combate ao furto de energia e monetização de infraestrutura em locais auditáveis. Terceiro, abrir um quadro comparativo curto com outros países, separando o que é política energética, o que é política de fiscalização e o que é política monetária, para evitar confusão com narrativas de “adoção estatal” que nem sempre se aplicam.
O plano da ANDE com a Morphware tenta converter apreensões e excedente de infraestrutura em receita, mantendo a mineração dentro de perímetros regulados e sem transformar o governo em “investidor” de Bitcoin. Se o piloto com 1.500 máquinas funcionar, o país ganha um precedente: usar a própria fiscalização como fonte de insumos para um modelo controlado, auditável e potencialmente escalável de monetização de energia e computação.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





