Você já deve ter ouvido falar do Drex. Se ainda não, calma, isso vai mudar. O DREX, o Real Digital, já está gerando conversas e chamando atenção antes mesmo de sua implementação completa.
Sim, o DREX está se tornando popular, e por boas razões. A agenda de inovação financeira do Banco Central vem trazendo novas formas de transacionar de maneira prática e
eficiente, e o DREX promete seguir neste sentido — mas em um nível muito mais profundo. Não estamos falando apenas de um novo método de pagamento digital. Mas o que faz do DREX algo capaz de conquistar tanto a atenção do público quanto do mercado?
Para entender o porquê do DREX estar ganhando tanto espaço, precisamos voltar um pouco e olhar para as plataformas que formam a base do nosso sistema financeiro. O
Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) e o Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI) são as grandes infraestruturas sobre as quais as transações diárias, sejam elas do PIX ou TED, operam.
O DREX, entretanto, vem como um novo bloco dessas infraestruturas, mas com uma promessa muito maior: trazer compossibilidade e programabilidade e assim permitir o
desenvolvimento de soluções financeiras inovadoras, automatizadas e mais seguras. E
executando sobre uma infraestrutura com instituições financeiras reguladas participantes.
No entanto, ao contrário do PIX, que se tornou visível para todos os brasileiros como uma solução de uso direto, o DREX pode não ser tão pop à medida que o tempo passa. Isso
porque sua verdadeira relevância está nos bastidores do sistema financeiro, permitindo que
soluções novas sejam criadas em cima dele — e é aí que mora sua força.
O DREX é mais do que um sistema de liquidação. Ele é uma plataforma programável, capaz de suportar contratos inteligentes e diversas operações financeiras automatizadas,
ampliando as possibilidades além de simples transações.
A programabilidade do DREX, por exemplo, permite que uma transação seja automatizada em diversas etapas, desde o pagamento de fornecedores até o financiamento de cadeias de produção, de maneira completamente autônoma. Isso diferencia o DREX dos sistemas
atuais, como o SPB, que se focam apenas na eficiência da liquidação financeira. A evolução do DREX torna possível desenvolver soluções financeiras complexas e integradas,
oferecendo um leque de possibilidades que, no futuro, pode superar em impacto até mesmo
o SPI.
Aqui está um ponto: quanto mais compossibilidade o DREX tiver — ou seja, quanto mais flexível ele for para integrar e permitir a interoperabilidade entre sistemas, tokens e contratos —, mais ele será utilizado. A compossibilidade cria um ecossistema onde diferentes soluções podem rodar conectadas na plataforma do DREX, e isso é algo que
nenhum outro sistema de pagamentos atual oferece.
Mas, quanto mais o DREX evolui em termos de funcionalidade, menos ele aparecerá para o usuário final. O DREX deixará de ser “pop” porque o público não verá o DREX diretamente. Ele estará nos bastidores, rodando sistemas complexos e soluções financeiras inovadoras. O que será realmente “pop” serão as soluções criadas em cima do DREX. O DREX é o palco.
Assim como o SPB, SPI, DICT, SCR são invisíveis para o usuário, mas vitais para o funcionamento da economia, o DREX pode seguir esse caminho. Será uma plataforma robusta, mas as verdadeiras estrelas serão as fintechs, instituições e startups que
construirão soluções em cima dele.
Em um cenário onde a compossibilidade entre sistemas financeiros digitais é cada vez mais
relevante, o DREX pode ser o motor de uma transformação no Brasil. Mas não espero que ele seja “pop”, quanto mais eficiente ele for, mais invisível ele se tornará
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





