A Major League Baseball (MLB), principal liga de beisebol dos Estados Unidos, anunciou nesta quinta-feira (19) que nomeou a Polymarket como sua parceira oficial exclusiva de mercados de previsão. Em paralelo, o comissário Rob Manfred assinou um memorando de entendimento (MOU) com a Commodity Futures Trading Commission (CFTC) — o primeiro acordo desse tipo entre o regulador federal de derivativos e uma organização esportiva profissional.
A decisão marca um momento histórico na interseção entre esportes, regulação e mercados cripto-nativos, consolidando os prediction markets como uma categoria legítima dentro do ecossistema financeiro americano.
O que muda na prática
A parceria dá à Polymarket e seus corretores acesso exclusivo à marca MLB, dados oficiais da liga via Sportradar e exposição nos canais digitais e eventos da MLB. Trata-se de um acordo multianual, conforme reportado inicialmente pelo Front Office Sports.
No centro do acordo está um framework de integridade compartilhado, que restringe mercados que possam comprometer a lisura dos jogos — como apostas sobre arremessos individuais, decisões de técnicos ou desempenho de árbitros. A Polymarket também incorporará controles de integridade em seu livro de regras para o mercado americano.
https://x.com/Polymarket/status/2034623765850533888
CFTC assume a dianteira na regulação
O MOU com a CFTC estabelece um canal formal de compartilhamento de informações confidenciais entre as duas organizações. Representantes designados se reunirão regularmente para monitorar e responder a ameaças à integridade do beisebol profissional e seus mercados de previsão relacionados.
“O MOU é um passo colaborativo para promover a integridade e resiliência dos mercados de previsão relacionados ao beisebol profissional”, disse o presidente da CFTC, Michael Selig. “Através deste MOU, a CFTC está bem posicionada para adicionar ferramentas adicionais para proteger esses mercados e seus participantes contra fraude, manipulação e outros abusos.”
O acordo representa uma mudança significativa de postura. A CFTC, que anteriormente resistiu à expansão dos prediction markets, agora abraça o setor sob a nova liderança indicada pelo presidente Trump. O chairman Selig tem se posicionado contra reguladores estaduais, argumentando que a jurisdição federal deve prevalecer sobre as regulamentações estaduais de apostas esportivas.
Contexto: por que isso importa
O movimento da MLB segue a tendência iniciada pela National Hockey League (NHL) e pela Major League Soccer (MLS), que já firmaram acordos com plataformas de prediction markets. No entanto, a MLB é a primeira a combinar uma parceria exclusiva com uma plataforma e um acordo formal com o regulador federal.
O anúncio chega em um momento de crescente escrutínio sobre insider trading em mercados de previsão. Um caso notório envolveu uma aposta de US$ 400 mil na queda do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro horas antes de sua prisão por forças especiais americanas. Esse e outros episódios motivaram propostas legislativas como o BETS OFF Act, que busca proibir mercados baseados em terrorismo, assassinatos e guerras.
Plataformas como a Kalshi já começaram a tomar medidas de autorregulação, incluindo ações de enforcement contra insider trading — uma delas envolvendo um editor de vídeo do YouTuber MrBeast. A Polymarket, por sua vez, firmou parceria com a Palantir para desenvolver modelos de vigilância para mercados esportivos.
O que vem pela frente
O comissário Manfred destacou que a regulação federal simplifica o cenário para as ligas esportivas. “O fato de existir um esquema regulatório federal facilita muito nossa vida, em comparação com apostas esportivas, onde é preciso ir estado por estado”, disse à ESPN.
A CFTC planeja propor regras formais para governar prediction markets em breve — uma iniciativa que se integra à agenda mais ampla de regulamentação cripto do chairman Selig. Enquanto isso, a MLB pretende estabelecer acordos de integridade com todas as plataformas que ofereçam contratos relacionados ao beisebol, exigindo que cada uma adote proteções adequadas.
Para o ecossistema cripto, a mensagem é clara: os prediction markets estão saindo da zona cinzenta e entrando no mainstream institucional, com regulação, parcerias e frameworks de governança que aproximam Web3 do mundo real.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





