Apesar de registrar um prejuízo de US$ 5,9 bilhões no primeiro trimestre de 2025 com suas reservas de Bitcoin, a Strategy (MSTR) segue com forte respaldo de analistas de mercado. Especialistas das firmas de investimento Benchmark e Bernstein reafirmaram suas recomendações de compra para as ações da empresa e elevaram suas projeções de preço, apostando na continuidade agressiva da estratégia cripto da companhia.
Desde que abandonou o desenvolvimento de software em 2020, a Strategy concentrou seus esforços na aquisição de Bitcoin, acumulando até agora cerca de 554 mil BTC — avaliados em aproximadamente US$ 53 bilhões. No entanto, o valor médio de compra desses ativos foi de US$ 68.459, o que expôs a empresa às recentes oscilações do mercado.
Segundo Mark Palmer, analista sênior da Benchmark especializado em fintechs e ativos digitais, mesmo com o prejuízo, a Strategy “reafirmou sua vantagem como pioneira” entre as empresas que adotaram Bitcoin como ativo estratégico. Ele destaca que mais de 70 companhias públicas já adicionaram a criptomoeda a seus balanços, mas a MSTR mantém a dianteira com sua escala e ambição.
Na teleconferência de resultados, a Strategy detalhou seus planos de adquirir mais Bitcoin por meio da emissão de ações e títulos de dívida. A empresa está atualmente implementando o chamado “Plano 42/42”, com o objetivo de levantar US$ 42 bilhões em cada modalidade — totalizando US$ 84 bilhões até 2027. Cerca de 65% desse montante já foi captado, segundo Palmer.
Apesar do prejuízo trimestral de US$ 16,49 por ação, a estratégia tem animado investidores. Na sexta-feira, as ações da empresa fecharam em alta de 3,3%, cotadas a US$ 394,37. Nos últimos 30 dias, a valorização foi de mais de 26%, com alta acumulada de 36% no ano. A MSTR chegou a ficar a menos de um dólar de seu pico histórico de 2025.
A Benchmark fixou um preço-alvo de US$ 650 para as ações, baseando-se em uma avaliação que combina o valor das reservas de Bitcoin com o negócio remanescente de software da companhia. Já os analistas da Bernstein projetam US$ 600, destacando o plano de capital 42:42 e a posição da Strategy como o principal veículo para fundos institucionais que desejam exposição a Bitcoin sem investir diretamente na criptomoeda ou em ETFs.
Mesmo negociada com um prêmio em relação ao seu valor patrimonial líquido, a MSTR continua sendo vista como uma ponte entre o mercado tradicional e o universo dos criptoativos. “A empresa demonstrou capacidade de gerar valor aos acionistas por meio de sua gestão de tesouraria, mesmo em tempos de volatilidade”, concluiu Palmer.





