Uma nova pesquisa do Hana Institute of Finance revela que os ativos digitais já fazem parte da carteira financeira de mais de um quarto da população sul-coreana entre 20 e 50 anos. O estudo aponta que 27% dos cidadãos dessa faixa etária investem em criptomoedas, com 70% demonstrando intenção de ampliar seus aportes no setor.
Entre os principais motivadores estão o potencial de valorização, a diversificação de investimentos e o uso estratégico para aposentadoria. Na faixa dos 40 anos, a adesão é maior, com 31% investindo em criptoativos. Os investidores na casa dos 50 anos revelaram maior foco em aposentadoria: 53% afirmaram usar criptomoedas como ferramenta de preparação financeira de longo prazo.
Outro dado relevante é a mudança no comportamento dos investidores: compras recorrentes de cripto subiram de 10% para 34%, e o foco no médio prazo também aumentou. Já o interesse por negociações de curto prazo teve leve retração, indicando amadurecimento do perfil de investimento.
O Bitcoin segue como principal ativo entre os coreanos, com seis em cada dez investidores mantendo posições. À medida que ganham experiência, no entanto, muitos ampliam suas apostas para altcoins e stablecoins. NFTs e tokens de segurança ainda são nichos pouco explorados.
O relatório também destaca um entrave regulatório: sete em cada dez entrevistados reclamam da impossibilidade de vincular múltiplas contas bancárias a corretoras, o que limita a flexibilidade de movimentações.
A confiança no setor cresceria, segundo os entrevistados, se houvesse maior presença de instituições financeiras tradicionais e garantias legais mais robustas. Quase metade dos respondentes afirma que investiria mais caso houvesse envolvimento de bancos convencionais.
Contudo, a adesão crescente às criptomoedas na Coreia do Sul tem uma raiz econômica mais profunda. Para muitos jovens, elas surgem como resposta à estagnação econômica, alto desemprego e à dificuldade de acessar investimentos tradicionais. Segundo Eli Ilha Yune, da Anzaetek, a busca por retornos rápidos reflete menos uma aposta em tecnologia e mais uma tentativa de driblar um sistema financeiro excludente.
Com 6,6% de desemprego entre os jovens — mais que o dobro da média nacional — e um mercado imobiliário inacessível, as criptomoedas se apresentam como alternativa quase única para uma geração em busca de mobilidade financeira.
