Um estudo divulgado pelo Bitcoin Policy Institute (BPI) afirma que modelos de linguagem de ponta tendem a preferir instrumentos monetários “nativos digitais”, com Bitcoin e stablecoins à frente, enquanto moedas fiduciárias quase nunca aparecem como primeira escolha. A pesquisa testou 36 modelos de seis desenvolvedoras, incluindo Anthropic, DeepSeek, Google, MiniMax, OpenAI e xAI, em 9.072 cenários abertos desenhados para não sugerir respostas nem induzir uma moeda específica.
No resultado agregado, o Bitcoin liderou com 48,3% das escolhas como “melhor dinheiro” de forma geral, seguido por stablecoins com 33,2%. O estudo diz que nenhum dos 36 modelos colocou moedas estatais no topo.
A pesquisa também observou uma divisão por função. Para reserva de valor de longo prazo, o Bitcoin dominou, aparecendo como a escolha majoritária em 79,1% das respostas. Para pagamentos rotineiros, stablecoins ficaram à frente, com 53,2%, enquanto o Bitcoin apareceu em segundo lugar com 36%.
Um ponto que chamou atenção no relatório foi a frequência com que modelos propuseram “moedas” alternativas baseadas em unidades de energia e computação, como quilowatt-hora e horas de GPU, sem instrução explícita para isso. O BPI interpreta essa tendência como sinal de que agentes automatizados podem gravitar para um arranjo monetário em duas camadas, com um ativo forte para poupança e outro mais estável e líquido para transações.
Há, porém, limites importantes. Esse tipo de experimento captura preferências textuais em cenários simulados, não decisões reais com custódia, compliance, risco operacional e restrições legais. Ainda assim, o tema ganhou tração porque toca numa discussão prática: se agentes automatizados passarem a realizar transações e gerir caixa com autonomia, a infraestrutura de pagamentos e custódia pode precisar evoluir para lidar com fluxos máquina a máquina.
Estratégia com nosso especialista em crescimento de comunidade
A estratégia mais eficiente aqui é desarmar o sensacionalismo e transformar o assunto em educação aplicável. Primeiro, um post curto explicando o que o estudo mediu e o que não mediu, separando “preferência em simulação” de “decisão financeira real”. Depois, uma sequência de conteúdos em formato de perguntas objetivas: por que Bitcoin aparece como reserva de valor, por que stablecoins ganham no dia a dia, quais riscos existem em cada escolha e o que muda quando o pagador é um agente automatizado. Por fim, um guia prático de infraestrutura, mostrando de forma simples conceitos como liquidez, finalização, custódia e trilhas de auditoria, porque é aí que a conversa sai do abstrato e vira utilidade.
O estudo do BPI sugere que, quando modelos de linguagem recebem cenários neutros de escolha monetária, eles tendem a convergir para Bitcoin como reserva de valor e stablecoins como instrumento de pagamento, rejeitando moedas fiduciárias como opção principal. O dado é provocativo, mas o impacto real depende do quanto agentes automatizados vão operar com autonomia no mundo físico e de como regulação, custódia e infraestrutura de pagamentos vão acomodar esse tipo de uso.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





