O Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), formalizou a contratação de um software voltado à localização, rastreamento e análise de transações com criptoativos em redes blockchain. A medida reforça uma tendência já vista em outros países: o uso de ferramentas de análise on-chain como apoio a investigações financeiras, principalmente em casos de fraudes, lavagem de dinheiro e crimes cibernéticos.
O que foi contratado, na prática
Em um dos contratos publicados pelo MJSP, o objeto descreve um software de rastreio e análise de transações com criptoativos, incluindo transferência de conhecimento “hands on”, suporte técnico e atualização tecnológica por 36 meses. O documento traz valor total de R$ 170 mil para 1 unidade, com prazo de vigência de 12 meses a partir da assinatura.
Em paralelo, a Ata de Registro de Preços do mesmo processo indica um cenário mais amplo, com valor unitário de R$ 170 mil e total registrado de R$ 8,67 milhões (somando órgão gerenciador e participantes), além de listar demandas relevantes como a da Polícia Federal (15 unidades), entre outros órgãos.
Já reportagens do setor noticiaram a contratação como um pacote de 10 licenças (R$ 1,7 milhão) para uso a partir de 2026, o que pode refletir a soma de múltiplas unidades ou instrumentos dentro do mesmo guarda-chuva de compras públicas.
Por que isso importa para o mercado e para usuários comuns
Ferramentas desse tipo são usadas para mapear fluxos, identificar padrões e construir hipóteses investigativas sobre movimentações em blockchains (por exemplo, agrupando endereços por comportamento). O ponto sensível é que, mesmo quando ajudam a acelerar investigações, elas não são uma “prova automática” por si só: normalmente dependem de métodos probabilísticos e de validações complementares (documentos, perícia, cadeia de custódia e contraditório).
Esse risco entrou no debate público porque parte da comunidade jurídica e técnica alerta para falsos positivos e para o perigo de tratar conclusões de software como “verdade absoluta” sem perícia robusta e sem contestação adequada.
Como a nossa estratégia de comunidade entra nessa pauta (sem “tom de propaganda”)
Nosso especialista de crescimento de comunidade enxerga esse tema como oportunidade de “alfabetização cripto” com utilidade imediata. A linha é informar sem alarmismo e sem passar pano:
Série curta “Rastreio não é sentença”
Conteúdos rápidos mostrando o que essas ferramentas fazem, o que elas não fazem e por que “heurística” não substitui prova.Guia de bolso: boas práticas de autocuidado
Checklist simples sobre organização de registros, uso consciente de exchanges, segurança de contas e como reduzir exposição a golpes (sem incentivar evasão).Conversas com especialistas (direito + perícia + ciber)
Uma live ou space para traduzir o tema: como funciona uma investigação, como perícias são construídas e quais são os limites técnicos.Canal aberto para dúvidas do público
Coleta de perguntas reais e respostas objetivas, com foco em educação e cidadania digital.A contratação de soluções de análise on-chain pelo poder público marca um novo estágio: cripto deixa de ser “assunto paralelo” e vira, de vez, parte do ferramental de fiscalização e investigação. Ao mesmo tempo, cresce a responsabilidade de garantir que tecnologia seja usada com critério, transparência metodológica e respeito ao devido processo. Para o mercado, 2026 tende a ser menos sobre hype e mais sobre maturidade operacional: compliance, segurança e educação viram vantagem competitiva.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





