O FBI revelou nesta quarta-feira (25) a identidade de Kai West, conhecido como “IntelBroker”, após uma operação sigilosa que usou Bitcoin para rastrear o hacker. West é acusado de causar US$ 25 milhões em prejuízos por meio da venda ilegal de dados. A ação marca mais um avanço no uso de análises de blockchain por autoridades para combater crimes digitais.
Embora o hacker exigisse pagamentos em Monero, criptomoeda com maior privacidade, um agente infiltrado do FBI conseguiu convencê-lo a aceitar Bitcoin. Isso possibilitou o rastreamento das transações na blockchain pública, expondo uma sequência de movimentações que ligavam o endereço do pagamento a contas em corretoras.
A investigação apontou que uma das carteiras envolvidas na transação havia sido financiada por outra, vinculada a uma exchange onde West utilizou documentos reais — incluindo uma carteira de habilitação britânica — para realizar o procedimento de KYC (Know Your Customer). O mesmo documento foi utilizado na plataforma Coinbase, fortalecendo o vínculo entre sua identidade e as movimentações.
Com mandado judicial, os agentes acessaram contas de e-mail ligadas ao pseudônimo “Kyle Northern”, identificando fotos de documentos pessoais e ligações diretas com os IPs usados em ataques anteriores. Apesar do uso de VPNs, os padrões de conexão ajudaram a confirmar a identidade.
Além das provas técnicas, o processo ainda cita o uso de redes sociais e a publicação de conteúdos em nome de “IntelBroker”, que também foram associados a West.
Acusado de quatro crimes relacionados a fraudes cibernéticas, West pode enfrentar até 50 anos de prisão. Segundo o procurador Jay Clayton, a operação demonstra a capacidade do FBI de atuar internacionalmente no rastreio de criminosos digitais. Na semana anterior, os EUA já haviam realizado a maior apreensão de criptoativos ligados a fraudes por meio de técnicas semelhantes de análise on-chain.
