O cofundador e ex-CEO da Binance, Changpeng “CZ” Zhao, revelou nesta semana que tem atuado como consultor informal para diversos países interessados em estruturar reservas estratégicas de criptomoedas, em um movimento que busca acompanhar a crescente adoção global dos ativos digitais.
Em painel realizado na conferência Token2049, em Dubai, CZ destacou que sua atuação ocorre de forma independente da Binance, empresa que ele deixou em novembro de 2023, após um acordo de US$ 4,3 bilhões com autoridades dos Estados Unidos. Após cumprir quatro meses de prisão, Zhao foi libertado em setembro de 2024 e, segundo os termos do acordo judicial, está proibido de participar da gestão da exchange.
“Estamos conversando com vários países, aconselhando sobre como criar uma reserva estratégica de criptomoedas”, disse. “Questões fundamentais, como quais carteiras usar, se devem optar por custódia profissional ou por soluções próprias, como carteiras frias.”
A declaração vem na esteira de uma iniciativa dos Estados Unidos, que, sob uma ordem executiva do então presidente Donald Trump, instituíram em março de 2025 a criação de uma reserva estratégica de Bitcoin e outras criptos. CZ vê esse movimento como um gatilho para que outras nações sigam o exemplo. “Com uma das maiores economias do mundo detendo Bitcoin, os demais países são forçados a agir. Quanto mais esperarem, mais cara a criptomoeda ficará.”
Segundo ele, o Butão é um dos exemplos mais avançados nesse sentido, já adotando Bitcoin, Ethereum e o BNB — token nativo da Binance — como parte de suas reservas. “É algo muito significativo. Não cobro pelo meu tempo, faço por acreditar que é importante tanto para o setor quanto para as economias nacionais”, afirmou.
Por outro lado, CZ fez críticas ao continente europeu, que, segundo ele, está atrasado nesse processo. “Não vejo a Europa nesta discussão. Montenegro é uma exceção, temos um diálogo ativo com o primeiro-ministro de lá. Mas, fora isso, a Europa meio que sumiu do mapa.”
Apesar das críticas, o ex-CEO acredita que o setor ainda está em um estágio inicial. “De 200 países, apenas 12 começaram. Até os EUA estão apenas começando. Tudo está no início”, avaliou. Ele ainda ressaltou que a adoção de criptomoedas requer paciência: “Claro, quando investimos, queremos que o dinheiro multiplique por dez amanhã. Mas o mercado não funciona assim.”





