Os Estados Unidos registraram uma perda inesperada de 92 mil postos de trabalho em fevereiro, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (6) pelo Bureau of Labor Statistics (BLS). O mercado esperava a criação de 59 mil novas vagas, o que torna o resultado um dos piores desde o início da recuperação pós-pandemia.
A taxa de desemprego subiu para 4,4%, acima das expectativas de 4,3% e do número registrado em janeiro. O dado coloca de volta na mesa a possibilidade de cortes de juros pelo Federal Reserve ainda no primeiro semestre de 2026.
Bitcoin sente o peso do cenário macro
O Bitcoin (BTC) operava em torno de US$ 70 mil no momento da divulgação do relatório, após ter tocado US$ 74 mil no início da semana. A queda reflete um movimento mais amplo de aversão ao risco nos mercados globais.
Além dos dados de emprego, o conflito no Oriente Médio envolvendo o Irã — que completa uma semana — pressiona os preços do petróleo. O WTI saltou para US$ 86 por barril, uma alta de mais de 6% nas últimas 24 horas, alimentando temores de inflação persistente.
Os futuros do Nasdaq recuavam 1% e o S&P 500 perdia 0,8% após a divulgação. O ouro subia 1% e a prata avançava 2%, confirmando a busca por ativos de proteção. O rendimento do Treasury de 10 anos caiu para 4,11%.
O que o mercado espera agora
Antes do relatório de empregos, os mercados precificavam uma probabilidade de 95% de manutenção da taxa de juros na reunião do Fed de 18 de março, e 85% de chance de nenhum corte em abril. Com os números fracos, analistas acreditam que o cenário de cortes no primeiro semestre volta a ganhar força.
No entanto, o petróleo em alta pode complicar o cálculo. Se os preços de energia permanecerem elevados por conta das tensões com o Irã, a pressão inflacionária pode limitar a margem de manobra do banco central americano — criando um cenário de estagflação que historicamente é negativo para ativos de risco.
Criptomoedas e ações cripto no vermelho
Além do Bitcoin, outras criptomoedas também recuam. O Ethereum (ETH) perde 4%, negociado a US$ 2.040. Solana (SOL) cai 6% para US$ 87. O Dogecoin (DOGE) lidera as perdas entre as maiores criptomoedas, com queda de 8% nas últimas 24 horas.
Ações de empresas cripto como Strategy (MSTR), Coinbase (COIN) e MARA Holdings (MARA) também operam em baixa no pré-mercado americano.
Contexto: uma semana de volatilidade
O BTC chegou a subir quase 12% desde os mínimos de sábado, mas encontrou resistência na faixa de US$ 74 mil. A combinação de tensões geopolíticas, alta do petróleo e dados macroeconômicos fracos criou uma tempestade perfeita para a correção atual.
Para traders e investidores, o nível de US$ 70 mil se configura como um suporte psicológico importante. Uma quebra abaixo desse patamar poderia abrir espaço para novas quedas, enquanto uma sustentação pode atrair compradores que veem oportunidade no desconto.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





