Ether e Solana lideraram a recuperação do mercado cripto, enquanto o Bitcoin voltou a se aproximar de US$ 62 mil. O movimento foi acelerado por um short squeeze que liquidou US$ 281 milhões em apostas baixistas em 24 horas.
Ether e Solana puxaram uma recuperação ampla do mercado cripto nesta sexta-feira, enquanto o Bitcoin voltou a se aproximar de US$ 62 mil. O movimento ganhou força após uma onda de liquidações contra traders vendidos, em um short squeeze que eliminou US$ 281 milhões em posições baixistas em 24 horas, segundo o CoinDesk.
O avanço marca a semana mais forte do mercado desde meados de junho e muda, ao menos no curto prazo, o tom de um mês dominado por saques em ETFs, baixa liquidez e pressão de venda. O Bitcoin era negociado perto de US$ 61,3 mil, com alta semanal de 2,5%, enquanto o Ether subia cerca de 9,7% na semana e a Solana acumulava ganho próximo de 18,6%.
Short squeeze força recomposição rápida
Um short squeeze acontece quando traders apostando na queda são forçados a encerrar posições alavancadas depois de uma alta rápida. Na prática, essas liquidações geram compras automáticas ou recompras de contratos, o que pode alimentar ainda mais a alta em um mercado com pouca profundidade.
Desta vez, o Ether concentrou a maior parte das posições zeradas, sinalizando que a recuperação não ficou limitada ao Bitcoin. A Solana também se destacou entre os principais criptoativos, reforçando a leitura de rotação para ativos de maior beta depois de semanas de desempenho fraco nas altcoins.
O movimento conversa com uma tendência que o CriptoBR já vinha acompanhando: a Solana vinha tentando recuperar protagonismo depois de momentos de força em tesourarias e infraestrutura, como mostramos na matéria sobre a alta de Solana e ações de tesouraria cripto. No caso do Ethereum, o rali ocorre poucos dias após o mercado digerir discussões sobre adoção institucional, tema tratado na cobertura sobre a frente do Ethereum para atrair bancos.
ETFs ajudam, mas ainda não confirmam virada
O pano de fundo também melhorou para o Bitcoin. Os ETFs spot listados nos Estados Unidos registraram entrada líquida de US$ 221,7 milhões na quinta-feira, o maior fluxo diário em dois meses, encerrando uma sequência de dez dias de saques. A Fidelity liderou o movimento, enquanto o IBIT da BlackRock ainda teve saída líquida, de acordo com dados da SoSoValue citados pelo CoinDesk.
Mesmo assim, o mercado ainda precisa separar recuperação técnica de retomada sustentada. As saídas acumuladas no ano seguem relevantes, perto de US$ 5,4 bilhões, e analistas observam que uma única sessão positiva nos ETFs não basta para confirmar mudança estrutural no apetite institucional.
Essa cautela é importante porque o próprio CriptoBR publicou mais cedo que os ETFs de Bitcoin voltaram a captar após dez dias de saques, mas o histórico recente ainda mostra investidores sensíveis a juros, dados macroeconômicos e volatilidade nos mercados de tecnologia.
O que observar agora
Para traders, o ponto central é saber se a alta atrai compradores reais depois da liquidação dos vendidos. Quando o avanço depende demais de posições forçadas, o mercado pode perder tração assim que a pressão de recompra passa.
Para investidores de médio prazo, o sinal mais relevante será a continuidade dos fluxos para ETFs e a capacidade de Ether e Solana manterem ganhos sem depender apenas de alavancagem. Se o Bitcoin consolidar acima da faixa de US$ 60 mil e os fundos voltarem a captar por mais sessões, a recuperação tende a ganhar mais credibilidade.
Por enquanto, a leitura é de alívio forte, mas ainda não de euforia. O mercado cripto conseguiu respirar após semanas pesadas, mas a confirmação de tendência dependerá de demanda spot, liquidez e novos dados macro nos próximos dias.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





