Durante a conferência Bitcoin 2025, um tema pouco discutido ganhou destaque: a remuneração dos desenvolvedores do Bitcoin. Embora a criptomoeda movimente um mercado de US$ 2 trilhões, os profissionais responsáveis pela manutenção do seu código recebem salários considerados baixos para os padrões internacionais, principalmente quando comparados a grandes empresas de tecnologia.
O financiamento desses desenvolvedores ocorre majoritariamente via grants, bolsas oferecidas por empresas e fundações ligadas ao setor. Segundo levantamento apresentado por Mike Schmidt, da Brink, em 2023 o total destinado ao desenvolvimento do Bitcoin Core somou US$ 8,3 milhões — valor considerado modesto, se comparado ao orçamento de pequenas empresas de software.
Esse montante, distribuído entre cerca de 40 a 45 desenvolvedores ativos, resulta em uma média anual de aproximadamente US$ 202 mil, equivalente a R$ 1,1 milhão ou R$ 95 mil mensais. Embora significativo no Brasil, esse valor corresponde ao salário de um desenvolvedor júnior nos Estados Unidos.
Hong Kim, da Bitwise, destacou a situação de Michael Ford, o mais antigo mantenedor do Bitcoin Core, responsável por assegurar que o código funcione em todos os sistemas operacionais. Kim questionou a sustentabilidade desse modelo: “Ele está sendo pago? Esse valor é suficiente para que continue mais dez anos?”
Além da baixa remuneração, o setor sofre com a saída de nomes importantes. Entre 2022 e 2023, figuras como Wladimir van der Laan, considerado sucessor de Satoshi Nakamoto, e Marco Falke, deixaram o projeto. Embora não tenham citado salários como razão, o tema preocupa.
Outro fator debatido foi a centralização do financiamento. Jack Dorsey, fundador do Twitter, e Jay-Z são os principais financiadores do desenvolvimento do Bitcoin, apoiando várias organizações que dependem quase exclusivamente deles. Mike Schmidt alertou para o risco: “Ao menos três organizações recebem mais de 90% de seus recursos apenas de Jack ou de Jack e Jay-Z”.
Schmidt defendeu que mais bilionários e instituições participem do financiamento, ampliando a diversidade e reduzindo o risco de concentração.
Por fim, reforçou-se a preocupação com a segurança da rede. Em 2023, o dono do Bitcoin.org, conhecido como Cobra, alertou que uma falha no sistema poderia comprometer todo o ecossistema, destacando a importância de manter e ampliar o financiamento para os desenvolvedores.
Co-Owner e consultor de Tokenização na Tokenizem





