Em meio ao avanço das criptomoedas e ao entusiasmo do ex-presidente Donald Trump pelo setor, um deputado republicano do Texas quer levar o universo cripto diretamente para o cotidiano dos americanos — por meio da instalação de caixas eletrônicos de moedas digitais em prédios federais.
Lance Gooden, que representa o 5º distrito congressional texano, enviou nesta quinta-feira (1º) uma carta ao administrador interino da Administração de Serviços Gerais (GSA), Stephen Ehikian, solicitando que a agência adote infraestrutura de criptoativos em suas instalações. A GSA é responsável por administrar imóveis do governo federal, muitos dos quais já possuem caixas eletrônicos bancários tradicionais.
Na proposta, Gooden afirma que as criptomoedas são “parte integrante do sistema financeiro global” e que sua presença em espaços públicos “reflete uma tendência em rápida evolução”. Ele defende que as máquinas atenderiam a uma base de consumidores “diversa e em crescimento”.
O congressista ainda vincula a iniciativa à visão de Donald Trump, que defende o domínio dos Estados Unidos em tecnologias como blockchain e ativos digitais. “Adotar essa proposta seria um passo importante para consolidar os EUA como uma superpotência no cenário financeiro digital”, argumentou.
Riscos e críticas
Apesar do entusiasmo, a expansão de caixas eletrônicos de criptomoedas levanta preocupações crescentes com fraudes. Dados do Centro de Denúncias de Crimes Cibernéticos do FBI apontam que, só em 2024, quase 11 mil denúncias envolvendo esses equipamentos foram registradas — um aumento de 99% em relação ao ano anterior. As perdas ultrapassaram US$ 246 milhões, com idosos sendo as principais vítimas, acumulando mais de US$ 107 milhões em prejuízos.
Os golpistas costumam orientar vítimas a utilizar essas máquinas para transferir valores de forma irreversível, aproveitando-se do anonimato e da falta de controle sobre os recursos.
Enquanto países como Reino Unido já proibiram completamente os caixas de cripto, outras nações como França, Austrália e Alemanha impuseram restrições severas. Nos EUA, estados e municípios também começaram a agir: uma cidade em Minnesota baniu as máquinas, e Nebraska limitou tarifas e impôs tetos diários para transações.
No Congresso, senadores democratas defendem a aprovação da Lei de Prevenção a Fraudes com Caixas de Cripto. O projeto inclui políticas antifraude obrigatórias, avisos de risco, limites para usuários iniciantes e possibilidade de reembolso em caso de denúncia dentro de um prazo determinado.
Gooden reconhece os riscos e afirma que a medida deve ser acompanhada de “colaboração com reguladores e especialistas para garantir a conformidade com normas contra lavagem de dinheiro”. Ainda assim, acredita que os caixas eletrônicos podem ampliar o acesso ao sistema financeiro e promover educação pública sobre criptoativos.





