O fundador da Binance, Changpeng Zhao (CZ), reacendeu um debate acalorado na comunidade cripto nesta segunda-feira ao declarar no X (antigo Twitter) que o Bitcoin é um “hard asset” — um ativo rígido, escasso e resistente à inflação, assim como o ouro.
“Bitcoin is a hard asset. (Other top crypto too.)”, escreveu CZ em uma publicação curta e direta que rapidamente dividiu opiniões.
https://x.com/cz_binance/status/2035940587988550080
Comunidade reage com ceticismo
A declaração de CZ chegou em um momento delicado para o mercado. O Bitcoin havia acabado de cair para US$ 68.000 após tensões geopolíticas entre EUA e Irã provocarem uma onda de liquidações de mais de US$ 400 milhões em posições alavancadas.
A reação da comunidade foi rápida — e nem todos concordaram com a visão do ex-CEO da Binance.
“Hard assets normalmente não oscilam 20% em uma semana”, respondeu um usuário no X. Outro complementou: “Se pode perder 50% em meses, chamar de hard asset é forçar a barra. Isso é volatilidade, não estabilidade.”
O debate toca em um ponto central do mercado cripto: o Bitcoin é maduro o suficiente para ser comparado a reservas de valor tradicionais como ouro e imóveis? Para CZ, a resposta é sim — o supply fixo de 21 milhões de unidades garante escassez absoluta, algo que nenhuma moeda fiduciária pode oferecer.
CZ mantém visão de US$ 1 milhão para o BTC
Essa não é a primeira vez que CZ se posiciona de forma ultra-otimista sobre o Bitcoin. No início de 2026, ele reafirmou sua previsão de que o BTC pode atingir US$ 1 milhão, embora reconheça que isso pode levar anos.
Para CZ, o Bitcoin não foi criado para trading de curto prazo. Foi desenhado como uma proteção contra a inflação em tempos de incerteza econômica — exatamente o cenário que o mercado enfrenta agora, com tensões no Oriente Médio, sinais hawkish do Federal Reserve e o índice Fear & Greed em níveis de medo extremo.
Kiyosaki entra no debate: “Bitcoin vai às estrelas”
O autor de “Pai Rico, Pai Pobre”, Robert Kiyosaki, reforçou o sentimento bullish na semana passada. Ele previu que, após o estouro da “maior bolha da história”, o Bitcoin saltaria para US$ 750.000, o Ethereum para US$ 95.000 e o ouro para US$ 35.000 por onça.
A tese de Kiyosaki é simples: crises criam oportunidades. Quando ativos “reais” entram em liquidação durante crashes, investidores posicionados colhem retornos exponenciais na recuperação.
Bitcoin tenta segurar US$ 70 mil
No momento, o Bitcoin oscila próximo a US$ 70.500, tentando se recuperar após o mergulho para US$ 68.000 no fim de semana. O mercado americano abriu em tom cauteloso, com investidores monitorando os desdobramentos da situação no Irã e os próximos dados econômicos da semana.
O debate sobre se Bitcoin é ou não um “hard asset” pode parecer semântico, mas reflete uma questão mais profunda: como o mercado precifica convicção em meio ao medo. CZ e Kiyosaki apostam na tese de longo prazo. A comunidade, no entanto, lembra que o curto prazo pode ser brutal.
Para os investidores brasileiros, o cenário exige cautela. Com o dólar pressionado e o mercado cripto em modo de medo extremo (Fear & Greed em 11), qualquer posicionamento precisa considerar a volatilidade como parte do jogo — exatamente o ponto que CZ está tentando fazer.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





