A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) publicou, em 4 de março de 2026, três atos declaratórios determinando a suspensão imediata da oferta pública de serviços de intermediação de valores mobiliários por nove plataformas que estariam prospectando clientes residentes no Brasil sem a autorização exigida. A autarquia afirma que foram identificados indícios de captação irregular por meio de sites, aplicativos e redes sociais, inclusive com produtos típicos de forex e opções.
No primeiro ato, a CVM mirou a Mirlux Options, determinando a interrupção de qualquer oferta pública de intermediação no país por não integrar o sistema de distribuição previsto na Lei 6.385. A ordem alcança divulgação direta e indireta, inclusive por canais digitais.
O segundo ato envolveu o grupo ATFX, citando AT Global Markets International Limited, AT Global Markets Ltda e AT Capital Group Limited. A CVM aponta que, além da oferta irregular, houve indícios de prospecção de investidores no Brasil com apoio de estrutura local, reforçando que a intermediação voltada ao público brasileiro exige registro e enquadramento no sistema regulado.
O terceiro ato determinou a suspensão das ofertas de Visfh Corp LLC, Axiun Broker Corp LLC, Clarus Option Corp LLC, Delta Broker LLC e OB Trader Corp LLC. A CVM também listou endereços eletrônicos vinculados às marcas e reiterou que a ausência de autorização expõe o investidor a risco elevado, inclusive por fragilizar a possibilidade de recurso e fiscalização local.
Em caso de descumprimento, os atos preveem multa cominatória diária de R$ 1.000, aplicada às empresas e a pessoas que venham a ser identificadas como participantes dos atos irregulares. A CVM também orienta que investidores e cidadãos enviem denúncias e informações ao Serviço de Atendimento ao Cidadão para acelerar a atuação de supervisão.
Ao emitir stop orders contra nove plataformas em um único dia, a CVM reforça uma linha de ação que tem se intensificado: bloquear captação no Brasil por intermediários sem registro, especialmente em produtos de alto risco e frequentemente associados a marketing agressivo, como forex e opções. Para o investidor, o critério prático é simples: se não há autorização e supervisão no país, o risco não é só de perda financeira, mas de ficar sem proteção e sem canal efetivo de responsabilização.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





