A China anunciou nesta terça-feira (4) a condenação à pena de morte de cinco líderes de uma das maiores organizações criminosas do sudeste asiático, responsáveis por aplicar golpes bilionários envolvendo fraudes, sequestros e atividades ilegais com criptomoedas.
Entre os condenados estão Bai Suocheng e Bai Yingcang, pai e filho, apontados como os principais líderes da região autônoma de Kokang, em Myanmar, um dos epicentros mundiais de esquemas de golpes digitais e cassinos clandestinos.A decisão foi proferida pelo Tribunal Popular Intermediário de Shenzhen, marcando o desfecho de uma série de julgamentos que investigam a atuação de grupos criminosos transnacionais. No total, 21 pessoas foram sentenciadas, com punições que variam de pena de morte a até 20 anos de prisão.
Estrutura bilionária de golpes e crimes cibernéticos
De acordo com a investigação, o grupo liderado pelos Bai movimentou 29 bilhões de yuans (cerca de R$ 21,8 bilhões) e esteve envolvido em uma ampla rede de fraudes eletrônicas, homicídios, extorsões, tráfico de drogas e operações de cassinos ilegais.
As autoridades chinesas afirmam que os criminosos mataram seis cidadãos chineses e causaram ferimentos graves em diversas vítimas, além de impulsionar o suicídio de outro cidadão.A rede criminosa se beneficiava da influência política e militar da família Bai, que controlava partes de Kokang com forças armadas próprias. O grupo construiu 41 complexos empresariais e tecnológicos, incluindo hotéis, cassinos e até um parque tecnológico — estruturas usadas para encobrir atividades ilegais e atrair investidores estrangeiros.
Outras condenações
Além dos cinco condenados à pena de morte, dois acusados receberam a mesma sentença com suspensão de dois anos — um tipo de punição chinesa que pode ser comutada para prisão perpétua se o condenado demonstrar boa conduta.
Outros cinco receberam prisão perpétua, e nove foram condenados a penas entre 3 e 20 anos de prisão, além de multas e confisco de bens.Entre os nomes citados estão Yang Liqiang, Hu Xiaojiang e Chen Guangyi, considerados peças-chave na operação, e Li Fushou e Li Zhide, que receberam sentenças de morte suspensas. A sentença destacou que o grupo mantinha conexões diretas com redes internacionais de lavagem de dinheiro e tráfico humano.
Golpes com criptomoedas e resposta global
A região de Myanmar, Camboja e Laos tem sido apontada como um dos principais polos mundiais de golpes com criptomoedas e fraudes online.
Em junho, os Estados Unidos apreenderam US$ 225 milhões em ativos de grupos baseados nesses países, e no mês passado confiscaram outros US$ 15 bilhões em Bitcoin ligados a redes semelhantes.
Enquanto os EUA miram nas transações financeiras ilícitas, a China intensificou o foco nos operadores — líderes e intermediários responsáveis por sustentar o ecossistema de crimes digitais.A operação, que envolveu cooperação entre Myanmar e Pequim, levou à extradição de 10 líderes desses esquemas no início de 2024. O julgamento reforça a estratégia chinesa de combate a crimes cibernéticos transfronteiriços, em um contexto onde criptomoedas e plataformas digitais têm sido usadas para mascarar fluxos ilícitos de capital.
💡 Proteja-se contra golpes e aprenda como manter suas criptomoedas seguras.
A CriptoBR oferece treinamento em autocustódia, análise de risco e segurança digital, com acompanhamento individual.
Converse com nosso especialista em crescimento de comunidade e entenda como proteger seus ativos no ambiente cripto de forma prática e segura.
