Yann LeCun, cientista-chefe de IA da Meta, afirmou que os sistemas atuais de inteligência artificial não possuem elementos essenciais do comportamento inteligente humano. A declaração foi feita durante o AI Action Summit, em Paris, conforme relatado pelo Business Insider.
LeCun apontou quatro capacidades fundamentais ainda ausentes nos modelos: compreensão do mundo físico, memória persistente, raciocínio e planejamento complexo com hierarquia. Para ele, os grandes modelos de linguagem (LLMs), base de ferramentas como chatbots, não atingem esses requisitos. O avanço, segundo o especialista, exige uma mudança na forma de treinamento, privilegiando o aprendizado a partir de interações reais.
A Meta já explora novas abordagens, como o sistema de geração aumentada por recuperação (RAG), que busca melhorar as respostas dos modelos utilizando fontes externas de conhecimento. Em fevereiro, a empresa também lançou o V-JEPA, um modelo que aprende prevendo partes ocultas de vídeos.
LeCun defende que os futuros sistemas de IA devem ser “modelos baseados no mundo”, capazes de prever resultados a partir de ações imaginadas, replicando o modo como humanos abstraem e compreendem a realidade.
Apesar dessas iniciativas, a Meta enfrenta desafios internos. Apenas três dos 14 criadores do modelo Llama original permanecem na empresa; muitos migraram para a Mistral, startup francesa formada por ex-integrantes da equipe. A saída de talentos ocorre em meio à recepção morna ao Llama 4 e à forte concorrência de modelos como o GPT-4o, da OpenAI, o Gemini 2.5 Pro, do Google, e o Claude 4 Sonnet, da Anthropic.
Segundo o Wall Street Journal, a Meta adiou o lançamento do Llama 4 “Behemoth”, seu modelo principal, enquanto busca reposicionar sua estratégia no setor de IA.
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