O presidente-executivo do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, usou sua tradicional carta anual aos acionistas, divulgada nesta segunda-feira (7), para expressar sérias preocupações com os rumos da política tarifária do ex-presidente e atual candidato Donald Trump. Segundo Dimon, as medidas mais recentes de aumento de tarifas sobre produtos importados têm potencial de acelerar a inflação nos Estados Unidos e ampliar o risco de uma recessão.
“As tarifas recentes provavelmente aumentarão a inflação e estão fazendo com que muitos considerem uma probabilidade maior de uma recessão”, escreveu Dimon. “Se o menu de tarifas causa ou não uma recessão continua em questão, mas isso desacelerará o crescimento.”

A crítica não veio acompanhada de um repúdio total às medidas: o CEO reconhece que há motivos legítimos para a adoção de tarifas em alguns casos. No entanto, ele faz um alerta ao impacto imediato sobre a economia real. “É provável que haja efeitos importantes de curto prazo”, afirmou, destacando que os aumentos de preços não afetarão apenas os produtos importados, mas também os nacionais, pressionando o consumo e os investimentos.
Apesar das ressalvas, Dimon reforçou seu apoio à doutrina “America First” defendida por Trump na política externa. Ainda assim, advertiu contra uma postura isolacionista: “Ela não pode se transformar em ‘América somente’”, escreveu. “Se as alianças militares e econômicas do mundo ocidental se fragmentassem, a própria América inevitavelmente enfraqueceria com o tempo.”
O mercado reagiu de forma imediata às movimentações do ex-presidente. Desde domingo, ativos globais — incluindo criptomoedas — vêm registrando fortes perdas. O Bitcoin (BTC) chegou a cair abaixo dos US$ 79 mil, seu menor patamar desde novembro do ano passado. Nesta segunda-feira, a criptomoeda operava em leve estabilidade, cotada a US$ 78.235.
O CoinDesk 20, índice que reúne os 20 maiores criptoativos em valor de mercado, acumulava queda de mais de 10% apenas nas últimas 24 horas e quase 20% no último mês, refletindo o aumento das incertezas econômicas em meio ao ciclo de tensão comercial renovada.





