Bo Hines, conselheiro de criptomoedas do presidente Donald Trump e diretor executivo do Conselho Presidencial de Consultores para Ativos Digitais, afirmou nesta quarta-feira (30) que os Estados Unidos estão próximos de aprovar duas legislações cruciais sobre o setor cripto, com previsão de conclusão antes do recesso de verão do Congresso, em agosto.
Em entrevista à CoinDesk, Hines explicou que as articulações entre a Casa Branca e o Congresso estão em estágio avançado, com foco inicial na regulamentação de emissores de stablecoins. “Estamos em uma ótima posição para aprovar e sancionar isso. Isso estabelece a base para tudo o que podemos fazer”, afirmou o assessor, que também será palestrante no evento Consensus 2025, em Toronto.
Segundo Hines, os projetos em debate na Câmara e no Senado estão “90% alinhados” e os parlamentares trabalham para mitigar pequenas divergências. Em seguida, o foco se voltará para uma proposta mais ampla, que criará uma estrutura regulatória completa para o mercado cripto nos Estados Unidos.
Apesar das críticas da oposição, que apontam conflitos de interesse nos negócios pessoais de Trump com ativos digitais, Hines rejeitou as acusações. “Qualquer bom empresário se envolveria em uma oportunidade de mercado como essa. Então, não vejo isso como algo prejudicial de forma alguma”, disse ele, citando os vínculos do presidente com empresas como a World Liberty Financial e a memecoin $TRUMP.
“A família Trump tem a capacidade de se envolver com qualquer mercado que considerar adequado”, declarou. “Nosso foco é transformar os EUA na capital mundial das criptomoedas e inaugurar a era de ouro dos ativos digitais. Estamos cumprindo a missão que o presidente nos deu.”
Reserva federal de Bitcoin
Outra frente liderada por Hines envolve a criação de uma reserva federal de Bitcoin e outros criptoativos, medida anunciada por Trump em março como parte de suas promessas de campanha. A condição imposta pelo presidente é que a reserva seja neutra para o orçamento público — ou seja, sem uso de dinheiro dos contribuintes.
O Tesouro americano já iniciou auditorias para avaliar quais ativos digitais em posse de agências governamentais poderão ser alocados na reserva. Hines afirmou que a equipe ainda estuda formas alternativas de ampliar o estoque cripto do país sem impactar os cofres públicos. “Vemos o bitcoin como ouro digital e queremos acumular o máximo possível”, afirmou, sem especificar um cronograma.
“Velocidade inédita”
A virada de postura do governo em relação ao setor cripto, após a saída do presidente Joe Biden, foi classificada como “drástica” por analistas. Enquanto o governo anterior era mais cauteloso e impunha barreiras regulatórias, a administração Trump tem incentivado o diálogo com o setor privado. Agências como a SEC já recuaram em políticas restritivas e abriram rodadas de conversa com representantes da indústria.
“Estamos avançando a uma velocidade que nenhuma outra administração conseguiu atingir antes”, declarou Hines. Ele diz ter participado de até 200 reuniões com especialistas desde que assumiu o cargo e reconhece que há divergências internas, mas vê “alinhamento geral” entre Congresso, Casa Branca e indústria quanto ao caminho a seguir.
Hines também minimizou críticas sobre a decisão de dividir a legislação cripto em duas fases — uma para stablecoins e outra para mercados em geral — e disse que o processo é complexo, mas necessário. “Estamos revolucionando um sistema financeiro que tem sido arcaico por mais de três décadas”, concluiu.





