O Bitcoin ultrapassou os US$ 70.000 nesta terça-feira (10), completando uma recuperação rápida após o selloff do fim de semana que arrastou a maior criptomoeda do mercado para a faixa dos US$ 65.000. O movimento veio acompanhado de um recuo nos preços do petróleo e sinais de que o conflito entre EUA e Irã pode estar chegando ao fim.
Petróleo recua e mercados respiram
Os mercados ficaram em modo risk-off na segunda-feira quando interrupções no Estreito de Ormuz enviaram os benchmarks de petróleo — WTI e Brent — acima de US$ 100 o barril pela primeira vez em anos, com pico de US$ 120. O Bitcoin caiu junto com os ativos de risco durante o choque inicial, mas rapidamente se estabilizou na faixa dos US$ 66.000 a US$ 68.000.
A virada aconteceu quando o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que o conflito com o Irã seria resolvido “muito em breve” e que os objetivos militares americanos estavam “praticamente concluídos”. As bolsas asiáticas dispararam 2% após a queda de 3,7% do dia anterior, e o petróleo voltou para abaixo de US$ 100.
Bitcoin mostrou mais resiliência que ações
A market maker Enflux destacou que o Bitcoin teve desempenho superior ao das ações e até de alguns hedges tradicionais durante a crise.
“O Bitcoin caiu abaixo de US$ 66 mil durante a onda inicial de risk-off, mas rapidamente se estabilizou entre US$ 66 mil e US$ 68 mil. Em termos relativos, ele se manteve melhor que ações e até alguns hedges tradicionais.”
Fluxos institucionais seguem firmes
Os ETFs spot de Bitcoin nos EUA atraíram cerca de US$ 568 milhões em entradas líquidas na semana passada, após US$ 787 milhões na semana anterior, elevando o total acumulado para mais de US$ 55 bilhões, segundo dados da SoSoValue. Na segunda-feira, as entradas preliminares foram de US$ 57 milhões.
Ryan Kirkley, CEO da Global Settlement, afirmou ao CoinDesk que os fluxos indicam que investidores institucionais estão tratando o momento como uma “entrada tática”, não como capitulação.
Altcoins também se recuperam
As principais altcoins acompanharam a recuperação:
- Ethereum (ETH): US$ 2.029 (+2,6%), recuperando o nível psicológico de US$ 2.000
- Solana (SOL): US$ 85,67 (+2,9%), liderando a alta entre as majors
- BNB: US$ 639 (+2,6%)
- XRP: US$ 1,37 (+1,7%)
No entanto, analistas da FxPro apontam que o Ethereum precisa romper a zona entre US$ 2.000 e US$ 2.500 — e ultrapassar a média móvel de 200 semanas — para confirmar uma recuperação genuína.
Mercados de previsão ficam otimistas
No Polymarket, as odds de o Bitcoin atingir US$ 75.000 em março saltaram de cerca de 34% para 56% na segunda-feira, mostrando como as expectativas mudaram rapidamente com a reconquista dos US$ 70 mil.
O que vem pela frente
O próximo grande teste para o mercado é a reunião do Federal Reserve nos dias 17 e 18 de março. A correlação de 90 dias entre Bitcoin e S&P 500 subiu para 0,78 — uma das leituras mais altas desde meados de 2022. Quando o BTC opera em sincronia com ações, as altcoins amplificam cada movimento em ambas as direções.
Analistas da Glassnode observam que as condições estão se estabilizando, com momentum, demanda via ETF e métricas de lucratividade melhorando modestamente. Porém, os fluxos de capital permanecem fracos, a participação especulativa é limitada e a convicção plena ainda não retornou ao mercado.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





