A empresa de investimentos Bernstein destacou a surpreendente resiliência do Bitcoin (BTC) diante da recente turbulência causada por tarifas comerciais, que têm pressionado mercados globais e cadeias de suprimento. Para os analistas, o fato de a maior criptomoeda do mundo ter caído apenas 26% desde o seu pico histórico — alcançado há menos de três meses — demonstra força diante de um cenário adverso.
“Crises anteriores, como a pandemia de Covid-19 e os choques nas taxas de juros, levaram o Bitcoin a despencar entre 50% e 70%. Agora, a queda é bem mais contida”, diz o relatório assinado por Gautam Chhugani e sua equipe. “A ação de preço atual sugere uma demanda de capital mais resiliente.”
Segundo os analistas, a tese do Bitcoin como ‘ouro digital’ está mais robusta do que nunca, impulsionada por uma maior adoção institucional. O relatório aponta os fluxos crescentes vindos de ETFs e títulos corporativos como sinais dessa nova etapa de amadurecimento da criptomoeda.
No entanto, nem todos os setores ligados ao Bitcoin compartilham do mesmo otimismo. Os mineradores, por exemplo, são diretamente afetados pelas tarifas comerciais que impactam as cadeias de suprimentos nos Estados Unidos. Isso pode influenciar negativamente a participação do país na hashrate — o poder computacional total utilizado para minerar e validar transações na rede do Bitcoin.
Mesmo assim, empresas como Riot Platforms (RIOT), IREN (IREN), MARA Holdings (MARA) e CleanSpark (CLSK) podem se beneficiar da situação. Por já atuarem em grande escala e explorarem aplicações de inteligência artificial, elas estariam mais bem posicionadas para ganhar participação de mercado, segundo a Bernstein.
Em um momento em que a economia global vive sob incertezas — com tarifas, protecionismo e instabilidade cambial —, o Bitcoin parece ter encontrado um novo tipo de estabilidade. Pelo menos por enquanto.





