O Bitcoin rompeu brevemente a marca de US$ 74.000 na manhã desta segunda-feira (16), quebrando uma resistência que havia rejeitado quatro vezes nas últimas duas semanas. No momento da publicação, a maior criptomoeda do mercado operava em torno de US$ 74 mil, acumulando alta de 2,9% em 24 horas e 9,7% na semana.
O movimento não ficou restrito ao Bitcoin. As altcoins protagonizaram altas ainda mais expressivas: o Ethereum disparou 7,7% no dia e 14,3% na semana, alcançando US$ 2.261 — seu melhor desempenho semanal em meses. Solana avançou 5,6% para US$ 93, enquanto BNB ganhou 3,8% e chegou a US$ 683, com 9,5% de valorização semanal.
Short squeeze turbinou a alta
Dados da CoinGlass mostram que US$ 344 milhões em posições foram liquidadas nas últimas 24 horas, envolvendo quase 92 mil traders. Desse total, US$ 284,9 milhões (83%) eram posições vendidas (short), confirmando que a alta foi parcialmente alimentada por uma cascata de liquidações forçadas.
Os shorts de Ethereum foram os mais atingidos, com US$ 127,9 milhões liquidados, seguidos por Bitcoin (US$ 124,5 milhões) e Solana (US$ 18,5 milhões). A maior liquidação individual foi uma posição de US$ 6,94 milhões em BTC na Bitfinex.
Catalisadores: diplomacia, petróleo e dólar fraco
O gatilho veio de uma combinação de fatores geopolíticos. O presidente Donald Trump afirmou que os EUA estão em negociações com o Irã, embora Teerã tenha negado ter solicitado conversas ou um cessar-fogo. O chanceler iraniano Abbas Araghchi declarou que o Estreito de Ormuz estava fechado apenas para navios de “inimigos” — um tom mais brando do que o bloqueio total que vinha sendo mantido.
Na prática, dois navios-tanque carregando gás liquefeito para a Índia cruzaram o estreito no domingo, marcando o primeiro trânsito comercial desde o início do conflito.
O petróleo refletiu a mudança de humor: o Brent recuou para US$ 104 após ter alcançado US$ 106,50, e o WTI caiu abaixo de US$ 100. O dólar enfraqueceu 0,3%, e os futuros do S&P 500 avançaram 0,5%, caminhando para seu primeiro ganho em cinco dias.
O que observar agora
Para o mercado cripto, a combinação de petróleo em queda, dólar mais fraco e sinais de desescalada é o cenário macro exato que libera liquidez para ativos de risco. O fato de que altcoins como ETH estão superando o BTC em termos percentuais indica que o apetite por risco está genuinamente retornando — o capital está migrando para mais longe na curva de risco, em vez de se abrigar apenas no Bitcoin.
A reunião do Federal Reserve nos dias 17 e 18 de março chega com um contexto diferente do que se esperava uma semana atrás. Com o Estreito de Ormuz mostrando sinais de reabertura, o cálculo inflacionário muda. O dot plot e a coletiva de Jerome Powell na quarta-feira vão determinar se as expectativas de corte de juros sobrevivem.
A semana promete alta volatilidade, mas por enquanto, o mercado respira aliviado.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





