O Bitcoin recuperou o patamar de US$ 69.000 nesta segunda-feira (9), subindo 5% em relação às mínimas da madrugada, quando chegou a tocar US$ 65.000. A recuperação veio acompanhada de uma reversão nos mercados tradicionais, com o petróleo WTI recuando de US$ 120 para US$ 95 por barril após o pânico inicial do fim de semana.
Mercados revertem perdas com recuo do petróleo
O petróleo havia disparado quase 30% durante a madrugada após um fim de semana sem sinais de cessar-fogo no conflito entre Estados Unidos e Irã. No entanto, a commodity devolveu boa parte dos ganhos durante o pregão americano, caindo para US$ 95 — uma alta de apenas 5% no dia.
Com o alívio no petróleo, o Nasdaq reverteu uma queda de 2% e voltou ao zero a zero. As ações de empresas cripto também reagiram: a Circle (CRCL), emissora da stablecoin USDC, subiu 8% após a seguradora global Aon anunciar que pagou um prêmio de seguro em stablecoins pela primeira vez. A Strategy (MSTR) de Michael Saylor avançou 3%.
O Ether (ETH) também se beneficiou, reconquistando o nível de US$ 2.000 com alta de 4% em 24 horas.
Bitcoin pode ser o grande vencedor do conflito
Enquanto o mercado reage no curto prazo, o macroestratega Mark Connors — ex-chefe global de portfólio e risco na Credit Suisse e ex-head de pesquisa na 3iQ — argumenta que um conflito prolongado pode, paradoxalmente, beneficiar o Bitcoin.
A lógica é simples: guerras custam caro. Para financiá-las, governos emitem mais dívida, aumentando a oferta de dólares no sistema e desvalorizando a moeda. Esse cenário de debasement historicamente favorece ativos alternativos como o Bitcoin.
“Liquidez impulsiona o Bitcoin. Se a guerra se prolongar, significa mais gastos e mais déficit. Isso é construtivo para o Bitcoin.”
— Mark Connors, Risk Dimensions
Connors aponta que a dívida federal dos EUA já cresce a um ritmo anualizado de 14% desde meados de 2025, podendo atingir 15% ao ano se a tendência continuar. “Isso é debasement”, afirma.
Mesmo com inflação, cenário favorece BTC
Um possível obstáculo seria a alta do petróleo pressionando a inflação. Mas Connors argumenta que mesmo um cenário de estagflação — crescimento fraco com preços em alta — poderia beneficiar o Bitcoin.
Nesse contexto, o Federal Reserve priorizaria a estabilidade do mercado de Treasuries sobre o combate à inflação. O banco central americano não pode permitir disrupções como a crise do mercado de repos em 2019 ou as quebras de bancos regionais em 2023.
“O Fed precisa garantir que o mercado de Treasuries funcione”, disse Connors.
Com a possível confirmação de Kevin Warsh como novo presidente do Fed em maio — escolhido pelo presidente Trump em parte por sua postura dovish — as taxas de juros tendem a cair. Juros menores + déficit crescente = mais liquidez, a combinação ideal para o Bitcoin.
Níveis técnicos para observar
David Morrison, analista sênior da Trade Nation, destaca que o Bitcoin demonstrou “resiliência surpreendente” em meio à volatilidade extrema dos mercados tradicionais.
“Os touros ficarão encorajados se o Bitcoin conseguir voltar acima de US$ 70.000 rapidamente e manter esse nível em qualquer pullback subsequente.”
— David Morrison, Trade Nation
Com mercados tradicionais sob pressão e cadeias de suprimento ameaçadas por disrupções no Oriente Médio, ativos digitais parecem estar atraindo capital defensivo de investidores buscando alternativas a ativos sensíveis ao petróleo.
Desde o primeiro ataque americano ao Irã, o Bitcoin acumula alta de 3,6%, superando ações e ouro no mesmo período.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





