O Bitcoin abriu esta terça-feira (6) com uma leve queda de 0,3% nas últimas 24 horas, cotado a US$ 94.147. Durante a madrugada, a criptomoeda chegou a ser negociada por US$ 93.700, seu menor valor em quase uma semana. Em reais, o ativo digital está sendo vendido a R$ 537.139, de acordo com dados do Portal do Bitcoin.
A retração do BTC reflete um cenário de tensões macroeconômicas, reacendido após o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar novas tarifas comerciais, em um momento que antecede a reunião do Federal Reserve (Fed), marcada para esta quarta-feira (7). O mercado espera, com 97% de probabilidade segundo a plataforma CME FedWatch, que o Fed mantenha a taxa de juros entre 4,25% e 4,5% pela terceira vez consecutiva.
Mesmo diante das pressões públicas de Trump sobre o presidente do banco central, Jerome Powell, o Fed tem optado por manter cautela até entender os reais impactos das tarifas sobre a economia e a inflação norte-americana.
Nesse contexto de incerteza, o ouro registrou uma valorização de quase 3% na segunda-feira (5), alcançando seu maior preço em duas semanas, enquanto moedas asiáticas se fortaleceram frente ao dólar, indicando uma movimentação dos investidores em direção a ativos de menor risco.
Para analistas da QCP Capital, a atual conjuntura do mercado é “binária”: ou o Bitcoin volta a se correlacionar com ativos de risco mais amplos e sofre com a volatilidade, ou se beneficia do movimento cambial e da possível trégua na diplomacia comercial dos EUA.
“A direção do mercado cripto deve ficar mais clara após a decisão do Fed”, analisa Juan Leon, estrategista sênior da Bitwise. Ele acredita que os comentários de Powell podem sinalizar uma mudança na postura do Fed, priorizando o risco de desaceleração econômica sobre o temor da inflação, o que beneficiaria os ativos de risco, incluindo o Bitcoin.
No entanto, também existe a possibilidade de Powell adotar um discurso estratégico, espelhando a abordagem cautelosa de Trump nas negociações comerciais. “Acho que o Fed está tentando imitar Trump, mantendo as cartas o mais próximas possível do peito”, conclui Leon.





