O Bitcoin chegou a US$ 78 mil e provocou uma liquidação de US$ 593 milhões em posições vendidas após a reabertura temporária do Estreito de Ormuz. O movimento perdeu força horas depois, mas recolocou o nível de US$ 76 mil no radar como suporte decisivo para o curto prazo.
O Bitcoin disparou até US$ 78.000 entre a noite de sexta-feira e a madrugada deste sábado e desencadeou uma das maiores liquidações de vendidos do ano no mercado cripto. Segundo dados da CoinGlass citados pela CoinDesk, o rali forçou o encerramento de US$ 593 milhões em shorts, dentro de um total de US$ 762 milhões em liquidações distribuídas por 168 mil traders.
O gatilho para o movimento foi a notícia de que o Irã teria reaberto o Estreito de Ormuz, reduzindo momentaneamente a aversão ao risco nos mercados globais. Com a queda do petróleo e a melhora do apetite por ativos mais voláteis, o Bitcoin rompeu a faixa entre US$ 76 mil e US$ 78 mil. Horas depois, porém, relatos de novas restrições no estreito esfriaram o impulso e a criptomoeda voltou para a região de US$ 76 mil.
Short squeeze acelera alta do Bitcoin
A dinâmica foi típica de short squeeze. Quando muitos operadores apostam na queda e o preço sobe de forma rápida, essas posições são fechadas à força, o que adiciona mais compras ao mercado e amplia o rali. De acordo com a CoinDesk, o Bitcoin sozinho respondeu por US$ 381 milhões das liquidações, enquanto o Ether concentrou cerca de US$ 167 milhões.
O pano de fundo já favorecia esse tipo de movimento. As taxas de financiamento dos contratos perpétuos de Bitcoin vinham negativas havia semanas, sinal de que os vendidos estavam pagando prêmio para manter as apostas. Esse desequilíbrio tornou o mercado mais sensível a qualquer notícia capaz de mudar o sentimento de curto prazo.
Não é a primeira vez que o conflito em torno de Ormuz mexe com o setor. Como o CriptoBR mostrou na matéria sobre o momento em que o Bitcoin caiu abaixo de US$ 71 mil após o bloqueio no Estreito de Ormuz, a geopolítica voltou a pesar diretamente na formação de preço dos ativos digitais. Em seguida, o site também noticiou quando o Irã passou a cobrar pedágio em Bitcoin no Estreito de Ormuz, reforçando como a região se tornou um vetor recorrente de volatilidade.
Nível de US$ 76 mil vira teste para o mercado
Mesmo com a perda de força no fim do movimento, o episódio reacendeu a discussão sobre a capacidade de o Bitcoin sustentar um rompimento mais limpo. Se a faixa de US$ 76 mil se mantiver como suporte, o mercado pode interpretar a alta como uma quebra estrutural relevante. Se esse nível ceder, cresce a chance de o ativo voltar ao intervalo lateral que já vinha limitando as tentativas de recuperação desde março.
Outros ativos também sentiram o impacto, mas com intensidade menor. O Ether mostrou mais resiliência na correção, enquanto Solana e Dogecoin devolveram parte dos ganhos. No acumulado semanal, porém, o quadro ainda era positivo para as principais criptomoedas, o que sugere que o mercado continua reagindo de forma agressiva a qualquer alívio macro.
Esse contexto também ajuda a explicar por que investidores seguem atentos ao fluxo institucional. Em outra frente, o CriptoBR reportou recentemente que a Goldman Sachs protocolou um ETF de renda com Bitcoin nos EUA, mostrando que o interesse por produtos ligados ao ativo permanece vivo mesmo em um cenário de forte oscilação.
Por ora, o mercado entra no fim de semana com uma pergunta central: o choque de liquidação foi apenas um espasmo causado por manchetes geopolíticas ou o começo de uma retomada mais consistente? A resposta deve depender menos do tamanho do rali de sexta e mais da capacidade de o Bitcoin defender a região dos US$ 76 mil na próxima abertura semanal.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





