Em seu Relatório Anual de 2025, divulgado nesta terça-feira (24), o Banco de Compensações Internacionais (BIS) defendeu a tokenização como próxima etapa da evolução do sistema financeiro global. A instituição destacou o potencial da tecnologia para simplificar operações complexas, como pagamentos internacionais e liquidação de ativos, mas fez críticas contundentes às stablecoins, colocando-as em uma posição de incerteza regulatória.
Segundo o BIS, a tokenização pode substituir a atual cadeia fragmentada de intermediários financeiros por um processo unificado, aumentando a eficiência e reduzindo riscos operacionais. A proposta inclui a criação de um “livro-razão unificado”, com integração de reservas do banco central, depósitos bancários e títulos públicos, formando a base do que chamou de “sistema monetário de próxima geração”.
Entretanto, o BIS destacou que esse modelo só funcionará com os bancos centrais no centro da estrutura. A confiança no dinheiro, segundo o relatório, depende da “unicidade do dinheiro”, onde diferentes formas de moeda são aceitas sem questionamento por serem lastreadas em ativos seguros e líquidos controlados por autoridades monetárias.
Já as stablecoins foram tratadas com ceticismo. Apesar de reconhecer seu uso em transações transfronteiriças, o BIS apontou três falhas principais: anonimato, que facilita crimes financeiros; ausência de elasticidade, por exigir pré-pagamento integral; e falta de unicidade, por não oferecer a mesma aceitação irrestrita de moedas emitidas por bancos.
A entidade também alertou para riscos à soberania monetária e à estabilidade financeira, criticando o modelo de negócios das stablecoins, que, para garantir paridade com moedas fiduciárias, depende de reservas e conversibilidade que podem ser insustentáveis em momentos de estresse de mercado.
Reações do setor
Em resposta, o CEO da 2TM, Roberto Dagnoni, defendeu o uso de stablecoins como proteção contra a fragilidade do real e os entraves econômicos do Brasil. Segundo ele, a adoção de tokens como USDT e USDC reflete uma busca legítima por liquidez, segurança e acesso ao dólar, não uma especulação oportunista.
No campo político, o deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança criticou uma proposta do Banco Central de tributar stablecoins via regras cambiais, classificando a medida como um reflexo do descontrole fiscal do governo.
Enquanto o BIS promove a tokenização com supervisão estatal como pilar da modernização financeira, o futuro das stablecoins segue indefinido, dividido entre a adoção crescente no mercado e as crescentes preocupações regulatórias.
