O Banco Central do Cazaquistão anunciou nesta sexta-feira (6) que planeja alocar até US$ 350 milhões de suas reservas em ouro e câmbio para investimentos ligados a criptomoedas e ativos digitais. A decisão marca um dos movimentos mais significativos de um banco central soberano em direção ao mercado cripto.
Estratégia gradual e diversificada
Segundo o governador do banco, Timur Suleimanov, a instituição está desenvolvendo uma lista de investimentos aceitáveis que vai além da compra direta de criptomoedas. A estratégia inclui ações de empresas de tecnologia ligadas a ativos digitais, firmas de infraestrutura cripto e fundos indexados ao desempenho do mercado.
A vice-presidente do banco central, Aliya Moldabekova, afirmou que os investimentos serão realizados entre abril e maio, enfatizando uma abordagem cautelosa.
“Não estamos falando de um grande investimento em criptomoedas. Estamos selecionando empresas que lidam com ativos digitais, como aquelas envolvidas em infraestrutura de criptomoedas.”
— Aliya Moldabekova, vice-presidente do Banco Central do Cazaquistão
Cazaquistão já é protagonista no cenário cripto
O país se tornou um dos maiores hubs globais de mineração de Bitcoin após a proibição da atividade pela China em 2021, quando operadores migraram em massa para o território cazaque. Em 2025, a gestora Fonte Capital, sediada em Astana, lançou o primeiro ETF spot de Bitcoin da Ásia Central (BETF), oferecendo exposição regulada e fisicamente lastreada ao BTC.
Agora, com o banco central entrando diretamente no jogo, o Cazaquistão consolida sua posição como uma das nações mais proativas em adoção institucional de criptoativos.
Reservas robustas sustentam o movimento
A alocação de US$ 350 milhões representa apenas uma fração das reservas totais do país. Em fevereiro de 2026, o banco central detinha US$ 69,4 bilhões em reservas de ouro e câmbio, enquanto o fundo nacional — que acumula receitas de petróleo — somava US$ 65,23 bilhões em ativos.
Em termos percentuais, o investimento em cripto representaria cerca de 0,5% das reservas, um número modesto, mas simbolicamente poderoso: é a primeira vez que um banco central da região abre formalmente as portas para o ecossistema de ativos digitais em suas reservas soberanas.
Contexto global: bancos centrais de olho no cripto
O movimento do Cazaquistão acontece em um momento em que diversos governos e instituições financeiras estão reavaliando sua relação com criptoativos. Nos Estados Unidos, a discussão sobre uma reserva estratégica de Bitcoin ganhou tração política. Na Europa, o Banco Central Europeu tem monitorado de perto o avanço das stablecoins de dólar.
A decisão cazaque, ainda que conservadora em volume, pode servir de precedente para outros bancos centrais de economias emergentes que buscam diversificar suas reservas em um cenário de incerteza macroeconômica.
O que isso significa para o mercado
Para o mercado cripto, a entrada de um banco central soberano — mesmo que indireta, via infraestrutura e fundos — reforça a narrativa de institucionalização do setor. A sinalização é clara: ativos digitais estão deixando de ser vistos como especulação de varejo e passando a ocupar espaço nas estratégias de gestão de patrimônio soberano.
Os investimentos entre abril e maio devem movimentar principalmente ações de empresas como Coinbase, MicroStrategy e Marathon Digital, além de fundos de índice cripto — embora a lista final ainda esteja sendo definida pelo banco.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





