Em 12 de dezembro de 2025, um evento voltado ao novo marco regulatório de ativos virtuais reuniu representantes do mercado e do Banco Central do Brasil para esclarecer o que muda na prática para corretoras, prestadoras de serviço e instituições que oferecem produtos ligados a cripto. A mensagem principal foi direta: a regulação entra em uma etapa de consolidação, com implementação gradual e exigências mais próximas do padrão aplicado ao sistema financeiro. LinkedIn+1
Implementação gradual: 2026 começa a transição, 2027 amplia a vigência
O Banco Central sinalizou que, após a publicação da norma decorrente da Consulta Pública nº 122/2025, a adoção do novo arcabouço será faseada. Ajustes iniciais devem ocorrer em 2026, enquanto a entrada em vigor mais ampla do regramento contábil é projetada para 2027, criando um período de adaptação para as instituições afetadas. TradingView+2Banco Central do Brasil+2
Na prática, o objetivo é padronizar como criptoativos aparecem nos balanços, com critérios de reconhecimento, mensuração e divulgação. O efeito esperado é aumentar transparência e comparabilidade das informações, com impacto que pode ir além das instituições diretamente reguladas, já que o mercado tende a cobrar governança e evidências mais robustas de quem tem exposição relevante a ativos virtuais. Banco Central do Brasil+2Serviços e Informações do Brasil+2
Quem precisa se adequar: foco em SPSAVs e na cadeia de parceiros
O debate também girou em torno de quem precisará buscar autorização e como ficam modelos com prestadores estrangeiros atendendo brasileiros. A diretriz central do Banco Central é reforçar requisitos de autorização e funcionamento para prestadoras de serviços de ativos virtuais, com obrigações de governança, gestão de riscos e controles. Banco Central do Brasil+2Banco Central do Brasil+2
Para fintechs, bancos e instituições de pagamento, a mudança é igualmente relevante porque a régua passa a alcançar a cadeia inteira. Parcerias com provedores não autorizados, ou sem processo formal de autorização, tendem a virar risco operacional e regulatório, exigindo revisão de contratos, responsabilidades e fluxos de custódia e liquidação. Banco Central do Brasil+2JOTA Jornalismo+2
Stablecoins no centro: pagamentos, remessas e a próxima disputa regulatória
As stablecoins ganharam destaque pelo uso crescente em remessas, pagamentos internacionais e proteção cambial, com o mercado acompanhando a tramitação do PL 4.308/2024, que trata do tema no Legislativo. Portal da Câmara dos Deputados+2InvesTalk+2
O movimento reforça uma tendência: além da regulação “do setor cripto”, a discussão passa a encostar diretamente em câmbio, meios de pagamento, auditoria e prevenção à lavagem de dinheiro, com regras mais específicas por tipo de produto e risco.
Como transformar regulação em crescimento: a estratégia do nosso especialista em comunidade
Para além do jurídico, a nova fase pede comunicação clara e recorrente. Nosso especialista em crescimento de comunidade recomenda uma estratégia em três frentes para 2026:
Tradução do regulatório em linguagem de usuário
Série semanal “O que muda para você” com exemplos reais: custódia, segregação patrimonial, autorizações, contabilidade e stablecoins.Prova pública de confiança
Publicar um “painel de transparência” com políticas, rotinas de compliance, auditorias e perguntas frequentes, reduzindo ruído e boatos que viram pânico em dias de volatilidade.Comunidade como canal de onboarding
Rodas de conversa mensais com convidados do mercado e trilhas curtas de educação. O objetivo é converter curiosos em usuários conscientes, prontos para usar produtos com mais segurança e menos promessas vazias.Essa abordagem posiciona o tema como utilidade, não como medo, e cria um ciclo de retenção baseado em confiança: quem entende o cenário tende a operar melhor e permanecer mais tempo.
O recado do Banco Central é que o mercado brasileiro de cripto entrou na fase em que crescer exige estrutura. Entre 2026 e 2027, a régua sobe com padronização contábil, exigências de autorização e pressão sobre parceiros e modelos de negócio. Para empresas e usuários, o melhor caminho é se preparar cedo, priorizar transparência e tratar regulação como um diferencial competitivo, não como um obstáculo.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





