O analista de macroeconomia e cofundador da BitMEX, Arthur Hayes, manifestou ceticismo quanto à possibilidade de os Estados Unidos formarem de maneira proativa uma reserva estratégica de Bitcoin. Em entrevista ao investidor Kyle Chasse, publicada na última semana, Hayes afirmou que o único caminho viável para a construção de tal reserva seria manter os quase 198 mil BTC já em posse do governo, oriundos de apreensões criminais.
“Os Estados Unidos são um país deficitário. A única maneira de fazerem uma Reserva Estratégica é não vender os bitcoins que tiraram das pessoas”, declarou Hayes. Segundo ele, comprar Bitcoin diretamente no mercado seria politicamente inviável, uma vez que envolveria imprimir mais dólares — uma medida difícil de justificar diante do crescente endividamento público.
Hayes também destacou a imagem negativa que ainda paira sobre a comunidade cripto, algo que, segundo ele, pesa contra qualquer tentativa de incorporar oficialmente o Bitcoin à política econômica do país. “Especialmente quando a narrativa popular é de um bando de fãs de Bitcoin indo para a balada. É esse o tipo de imagem que você quer associar à sua política pública?”, provocou.
Como alternativa, o analista sugeriu que os EUA poderiam minerar Bitcoin diretamente, tal como se especula que a China possa vir a fazer, utilizando seu alto excedente energético.
Apesar do ceticismo de Hayes, há quem veja potencial estratégico em uma eventual adoção oficial do Bitcoin por parte do governo americano. Segundo o portal Cryptonews, alguns especialistas acreditam que isso poderia desencadear uma corrida global por criptoativos.
Hayes, no entanto, segue focado na dinâmica de mercado. Ele acredita que o domínio do Bitcoin está retornando a níveis próximos aos de antes de 2021, o que pode indicar o início de um novo ciclo de valorização. No dia 2 de maio, o BTC dominava 64,89% do mercado cripto — o maior percentual desde janeiro de 2021.
Mesmo com esse aumento, há divergência entre os analistas. Benjamin Cowen, por exemplo, duvida de um retorno ao patamar histórico de 70%, enquanto Ki Young Ju argumenta que os sinais clássicos de “altseason” estão ultrapassados. Para Ju, o mercado atual responde mais aos fluxos em moedas fiduciárias e stablecoins do que a padrões antigos de comportamento cripto.





