A Nasdaq, uma das principais bolsas dos Estados Unidos, está apertando o cerco contra companhias que usam a emissão de novas ações para formar reservas em Bitcoin e outros criptoativos. Segundo o portal The Information, a supervisão mais rígida pode levar desde a exigência de votos de acionistas até medidas extremas, como suspensão de negociação ou até remoção dessas empresas da bolsa.
A preocupação da Nasdaq surge em um momento em que empresas públicas já acumulam mais de 1 milhão de BTC em caixa, cerca de US$ 110 bilhões (R$ 598 bilhões). Entre as mais conhecidas estão a Strategy (NASDAQ: MSTR), de Michael Saylor, e a MARA Holdings (NASDAQ: MARA), grandes referências no setor de mineração e tesouraria cripto.
Além do Bitcoin, algumas companhias diversificaram para outras criptomoedas. A ALT5 Sigma Corporation (ALTS) formou reserva de World Liberty Financial (WLFI), a Sharps Technology (STSS) adquiriu Solana (SOL) e a Verb Technology (VERB) comprou Toncoin (TON).
A Nasdaq estaria especialmente atenta ao fato de que várias dessas empresas diluem seus acionistas para levantar capital, prática que aumenta riscos e pressiona investidores minoritários. Por isso, o novo rigor inclui a necessidade de aprovação formal dos acionistas antes de movimentos estratégicos ligados a criptomoedas.
Mesmo com o alerta, o mercado cripto não sentiu impacto imediato. O Bitcoin rompeu os US$ 113.000 nesta sexta-feira (5), impulsionado por dados de emprego nos EUA abaixo do esperado, e outras criptomoedas também acompanharam o movimento de alta.
Ainda assim, a bolsa sinaliza que não vai tolerar práticas que comprometam a governança. Como muitas das chamadas empresas DAT (Digital Asset Treasury) são consideradas “zumbis” do ponto de vista operacional, a dúvida agora é se terão fôlego para conquistar o apoio dos acionistas e manter suas estratégias agressivas de acumulação.
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Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





