A inesperada morte do Papa Francisco, confirmada nesta segunda-feira, 21, gerou comoção mundial, mas também teve repercussões inesperadas no mercado cripto. Investidores que apostavam em tokens temáticos ligados ao Vaticano e à canonização de um jovem beato, prevista para o próximo dia 27, viram suas posições derreterem em questão de horas após o anúncio do adiamento da cerimônia por tempo indeterminado.
“Eu estava posicionado numa moeda baseada no jovem que seria canonizado agora. Com a morte do Papa, o Vaticano adiou tudo e a moeda virou pó”, escreveu um investidor no X (antigo Twitter), usando emojis de palhaço para ilustrar sua frustração. Ele fazia referência a uma das chamadas “memecoins religiosas”, inspiradas em eventos católicos e figuras religiosas.
Enquanto isso, outras moedas temáticas com nomes como $POPE, $FRANCIS, $VATICOIN e até mesmo $HOLYWATER dispararam entre 300% e 900% em poucas horas, impulsionadas pela especulação em torno do falecimento do pontífice. A valorização, no entanto, vem sendo criticada por usuários e analistas, que veem na movimentação uma banalização de um momento de luto e de grande importância espiritual para milhões de católicos.
“Estamos diante de uma nova fronteira do mau gosto”, escreveu um analista de criptoativos. “Memecoins baseadas em tragédias, mortes de figuras públicas ou eventos religiosos escancaram o quanto esse mercado ainda carece de maturidade — e ética.”
A canonização em questão, que aconteceria em Roma com presença de milhares de fiéis, era vista como um marco importante para o setor mais conservador da Igreja, e chegou a inspirar vários projetos de tokenização religiosa. Com a morte de Francisco, a Santa Sé optou por adiar todos os eventos oficiais do Vaticano, inclusive as canonizações previstas para abril.
Enquanto parte do mercado cripto celebra os lucros com tokens baseados na imagem do Papa, outros se perguntam: até onde vai a febre das memecoins, e o que ela diz sobre os valores de quem movimenta bilhões em ativos digitais?
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





