A polêmica Telexfree, conhecida por ter sido uma das maiores pirâmides financeiras do Brasil, voltou a ser mencionada em um suposto novo esquema. Desta vez, o nome em circulação é TLXFre, que passou a divulgar a TLXCoin, uma criptomoeda criada na rede Arbitrum, ligada ao ecossistema Ethereum.
Segundo apuração do Livecoins, já existem 144 carteiras com saldo do token, e somente nas últimas 24 horas foram registradas 708 transferências.
Estrutura suspeita
O site oficial do projeto apresenta a TLXFre como “a maior e mais inovadora plataforma de marketing digital colaborativo”, mas fornece poucas informações técnicas. Em vez de um book de ofertas como ocorre em exchanges tradicionais, o sistema limita aportes a valores fixos de US$ 20, US$ 50, US$ 100 ou US$ 200, modelo que levanta alertas entre especialistas.
A iniciativa reaproveita até a antiga logomarca da Telexfree, reforçando as desconfianças de que se trata de uma repetição de práticas fraudulentas com roupagem tecnológica.
Especialista alerta para reciclagem de golpes
O advogado Artêmio Picanço, especialista em pirâmides financeiras, avalia que o caso segue o mesmo padrão de golpes passados.
“A volta da Telexfree sob a bandeira do TLXCoin é mais um capítulo previsível da indústria dos golpes no Brasil. Reciclam velhas práticas e as embalam em linguagem tecnológica para vender legitimidade ao que, na essência, continua inexistente”, disse Picanço.
Ele ressalta que a ausência de fiscalização efetiva, combinada à baixa educação financeira, mantém a população vulnerável a promessas de enriquecimento rápido.
Contexto
A Telexfree foi declarada pirâmide financeira no Brasil em 2014, após lesar milhares de investidores. Desde então, o caso se tornou símbolo de fraude financeira e ainda gera desdobramentos judiciais.
O novo esquema, apesar de não ter autores claramente identificados, já desperta preocupação na comunidade cripto, que alerta para um possível golpe em andamento.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





