A Tether Holdings, emissora da maior stablecoin do mercado, estaria avaliando levantar entre US$ 15 bilhões e US$ 20 bilhões em uma rodada privada que poderia avaliar a companhia em até US$ 500 bilhões, de acordo com reportagem da Bloomberg. Se confirmada, a cifra colocaria a empresa entre as mais valiosas do mundo.
Segundo fontes consultadas pela agência, a operação envolveria a venda de aproximadamente 3% da participação da companhia, com a Cantor Fitzgerald atuando como assessora principal. Ainda assim, pessoas próximas às negociações alertam que o valor final da transação pode ser inferior, já que as discussões ainda estão em fase preliminar.
Comparações globais
A avaliação pretendida pela Tether se aproxima de conversas recentes da OpenAI — desenvolvedora do ChatGPT — que também discute captação a um valuation de US$ 500 bilhões, segundo o New York Times. Fora do setor cripto, a Tether não possui a mesma visibilidade pública, mas figura entre as companhias mais lucrativas do planeta em termos de retorno por funcionário. Apenas no segundo trimestre, reportou lucro de US$ 4,9 bilhões, acumulando US$ 5,7 bilhões no ano.
Negação pública e cenário de mercado
Apesar dos rumores, Bo Hines, recém-nomeado CEO da Tether USAT, braço da companhia voltado aos Estados Unidos, declarou em evento em Seul que a empresa não planeja levantar fundos adicionais no momento. A Bloomberg, porém, afirma que negociações estão em andamento.
O USDT da Tether continua como a stablecoin dominante, com valor de mercado de US$ 172,8 bilhões, o que representa 56% do total de stablecoins em circulação, hoje avaliado em US$ 307,2 bilhões, segundo dados do CoinMarketCap.
Adoção acelerada
Stablecoins vêm ganhando relevância global por oferecerem transferências rápidas, baratas e com maior inclusão financeira. Nos Estados Unidos, a lei GENIUS sobre stablecoins busca preservar a dominância do dólar, estabelecendo regras para emissores.
Nesse ambiente, a Tether mantém a liderança, mas enfrenta concorrência de gigantes como a Circle Internet Group, emissora do USDC. Após abrir capital neste ano, a Circle viu seu valor de mercado saltar para US$ 33 bilhões, mostrando que o setor se tornou peça central na infraestrutura financeira digital.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





