São Paulo, 15 de setembro de 2025 — A Strategy (NASDAQ: MSTR), liderada por Michael Saylor, voltou a movimentar o mercado nesta segunda-feira ao anunciar a aquisição de 525 bitcoins no decorrer da última semana. O aporte, de aproximadamente US$ 60,2 milhões, foi realizado a um preço médio de US$ 114.562 por unidade.
Com a nova compra, a companhia alcança a marca de 638.985 BTC em tesouraria — o que corresponde a 63,2% de todo o bitcoin mantido por empresas de capital aberto no mundo, segundo dados do Bitcoin Treasuries. O valor acumulado desses ativos já representa um lucro não-realizado de US$ 26,2 bilhões.
Empresas testadas em um setor de contrastes
Enquanto a Strategy expande com folga suas reservas, outras empresas enfrentam sérias dificuldades para sustentar suas estratégias de tesouraria em criptoativos. O CEO da Nakamoto/KindlyMD (NASDAQ: NAKA), David Bailey, afirmou no último sábado (13) que “todo o setor de tesouraria está sendo testado”, citando problemas de financiamento, ativos digitais fracassados e ausência de visão de longo prazo em parte dos concorrentes.
As declarações de Bailey refletem a turbulência: ações da KindlyMD despencaram 55,6% em apenas um dia, após o destravamento de papéis por investidores iniciais. Desde o topo em maio, a queda acumulada já chega a 96%, colocando em xeque a sustentabilidade de sua estratégia.
A visão de Saylor e a lógica do “banco em Bitcoin”
Para Michael Saylor, a lógica é clara: transformar o balanço patrimonial em um ativo que cresce com o tempo. Ao levantar recursos via instrumentos como o STRF ATM, STRK ATM e STRD ATM, a empresa continua se capitalizando sem precisar vender ações ordinárias, reforçando a ideia de que está construindo uma espécie de “banco lastreado em Bitcoin”.
Esse contraste evidencia uma divisão no setor: de um lado, companhias que conseguem alavancar seu balanço com disciplina e previsibilidade; de outro, empresas pressionadas pelo mercado, negociando abaixo do valor líquido de seus ativos.
O que esperar
Com o domínio crescente da Strategy e a fragilidade de outros players, analistas avaliam que o mercado de empresas de tesouraria em Bitcoin pode passar por uma consolidação, em que apenas os grupos com estratégia sólida e capacidade de captação sobreviverão.
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Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





