A Prefeitura de São Paulo abriu as inscrições para a 11ª edição do VAI TEC (Programa para a Valorização de Iniciativas Tecnológicas), iniciativa que vai selecionar 25 empreendimentos de base tecnológica para uma aceleração de seis meses com suporte técnico e aporte financeiro de R$ 52 mil por projeto. O ciclo de aceleração está previsto para ocorrer de junho a novembro de 2026.
O programa é operado pela ADE SAMPA, vinculada à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, e tem como foco fortalecer negócios com potencial de desenvolvimento local, geração de emprego e renda, com atenção especial às periferias da capital.
Nesta edição, blockchain e tecnologias distribuídas aparecem explicitamente entre os eixos buscados, ao lado de aplicações de inteligência artificial, cibersegurança e privacidade de dados, softwares de gestão, plataformas e aplicativos inovadores e soluções com realidade aumentada e virtual. Na prática, isso abre espaço para projetos que usem blockchain para rastreabilidade, integridade de documentos, contratos digitais e processos auditáveis, desde que conectados a problemas reais e impacto mensurável na cidade.
Para participar, o edital aceita negócios formalizados ou ainda em fase inicial, mas impõe requisitos objetivos. As equipes precisam ter, obrigatoriamente, dois integrantes com 18 anos ou mais no ato da inscrição, residentes na cidade de São Paulo, além de presença mínima de 85% nas atividades, que ocorrem em horário comercial. As inscrições ficam abertas de 23 de janeiro de 2026 até 23 de fevereiro de 2026, com indicação de encerramento às 17h59 no cronograma oficial.
A prefeitura destaca a evolução do programa como política pública de inovação e inclusão produtiva. Segundo dados divulgados na comunicação institucional, em 10 anos foram acelerados 320 empreendimentos, com participação relevante de negócios vindos das zonas Sul, Leste e Norte, além de casos de iniciativas voltadas a serviços locais e plataformas de conexão de oferta e demanda.
Estratégia de comunidade para startups de blockchain que querem competir bem no edital
Na avaliação do nosso especialista em crescimento de comunidade, a diferença entre “uma boa ideia” e “um projeto selecionável” costuma estar menos no discurso técnico e mais na prova de tração social. Em editais de aceleração, blockchain precisa aparecer como meio, não como fim. O caminho mais eficiente é apresentar um recorte de problema bem localizado, uma base inicial de usuários ou parceiros, e um plano simples de aquisição e retenção.
A recomendação é estruturar a narrativa em três camadas. Primeiro, clareza do caso de uso, com uma dor verificável e um beneficiário direto. Segundo, confiança, mostrando como a solução reduz risco, custo ou tempo, com indicadores fáceis de acompanhar. Terceiro, comunidade, com ações concretas para formar rede de apoiadores, como pilotos com associações locais, parceiros de bairro, coletivos, comerciantes, ou serviços públicos onde fizer sentido. Isso reduz a impressão de “projeto experimental” e aumenta a percepção de impacto.
O VAI TEC 2026 reforça o movimento de São Paulo de usar aceleração pública como ferramenta de desenvolvimento econômico e inclusão, e a presença de blockchain no escopo indica que a cidade quer soluções com rastreabilidade, transparência e segurança aplicadas ao cotidiano. Para startups, o recado é direto: tecnologia ajuda, mas o que pesa é a capacidade de entregar impacto real, com equipe comprometida e presença consistente ao longo do programa.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





