A Check Point Software, referência global em cibersegurança, aproveitou o Dia Internacional do NFT (20 de setembro) para chamar atenção aos riscos crescentes no mercado de tokens não fungíveis. Segundo a empresa, golpes de phishing, manipulação de metadados, armadilhas psicológicas e falhas em marketplaces estão entre as principais ameaças a colecionadores e investidores.
Manipulação de metadados e “rug pulls”
Um dos maiores perigos está na dependência de servidores centralizados. Projetos podem alterar a aparência ou o valor de um NFT a qualquer momento. O caso mais emblemático ocorreu em 2021, quando o artista Neitherconfirm substituiu 26 artes vendidas no OpenSea por fotos de tapetes, em um “rug pull educacional”, mostrando a fragilidade de tokens mal estruturados.
Golpes em marketplaces
Plataformas como o OpenSea concentram parte dos ataques mais sofisticados. Um exemplo é a exploração de símbolos semelhantes entre tokens como ETH, WETH e USDC. Golpistas disfarçam ofertas de baixo valor — como 10 USDC (cerca de US$ 10) — para parecerem 10 WETH (cerca de US$ 20 mil).
Phishing e a engenharia social
Fraudes também migraram para redes sociais e comunidades online. Invasões de servidores no Discord já levaram usuários a acreditar em falsas “migrações emergenciais” ou “drops exclusivos”. Outra técnica em alta é o “envenenamento de airdrops”, em que criminosos enviam NFTs maliciosos capazes de roubar coleções inteiras ao serem interagidos.
Por que os ataques funcionam
A cultura do NFT estimula pressa e confiança excessiva. O FOMO (medo de perder), a complexidade técnica do blockchain e o senso de comunidade criam terreno fértil para manipulação psicológica. Expressões técnicas e prazos curtos são frequentemente usados para induzir erros.
Estratégias de proteção
Especialistas da Check Point recomendam práticas como:
Multi-wallet: separar ativos em carteiras hot (uso diário), warm (médio valor) e cold (hardware para longo prazo).
Regra dos cinco minutos: antes de confirmar uma transação, esperar e checar em fontes oficiais.
Auditoria de permissões: revisar aprovações antigas em ferramentas como Etherscan.
Ceticismo constante: desconfiar de airdrops não solicitados e ofertas “imperdíveis”.
Sinais de alerta
Contratos inteligentes não verificados.
Táticas de pressão, como contagens regressivas.
Comunicação pouco profissional ou com erros.
Promessas “boas demais para ser verdade”.
Conclusão
O mercado de NFTs continua em expansão, mas também na mira de cibercriminosos que combinam técnicas digitais e psicológicas. Para especialistas, a melhor defesa é a educação digital: cada usuário informado fortalece a segurança do ecossistema como um todo.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





