A Rede Nacional de Laboratórios de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro (Rede-Lab), iniciativa vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, informou que pretende fortalecer em 2026 a capacidade técnica dos laboratórios que atuam no combate à lavagem de dinheiro e crimes financeiros no Brasil, incluindo a ampliação de métodos e rotinas para rastrear operações com criptoativos.
O posicionamento ocorre em um contexto em que as organizações criminosas migraram parte relevante de suas atividades para o ambiente digital, com aumento de fraudes bancárias, golpes online e novas táticas apoiadas por inteligência artificial. Nesse cenário, a Rede-Lab reforça que sua função não é conduzir investigações, mas viabilizar padrões, ferramentas e troca de conhecimento para que os Laboratórios de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD), instalados em órgãos como polícias, ministérios públicos e outras instituições, consigam analisar dados e produzir insumos técnicos de forma mais eficiente.
Segundo o MJSP, a Rede-Lab atua como uma estrutura de coordenação e difusão de boas práticas, com foco em padronizar conceitos, promover intercâmbio de experiências e multiplicar conhecimento técnico. O coordenador Danilo Ferreira de Toledo descreve a rede como facilitadora, criando condições para que os laboratórios ampliem sua capacidade de identificar e analisar indícios de lavagem de dinheiro, sem interferir nos casos.
Para 2026, a principal entrega anunciada é a incorporação do GRINPA (Guia de Rastreamento e Investigação Patrimonial) à estrutura de trabalho da rede, com uma plataforma digital reunindo conteúdos atualizados sobre rastreamento patrimonial, procedimentos investigativos e temas relacionados a criptoativos. A proposta é funcionar como instrumento permanente de consulta e “biblioteca viva”, atualizada pelos membros da rede, reduzindo dependência exclusiva de capacitações presenciais.
A Rede-Lab surgiu no âmbito da ENCCLA, estratégia criada em 2006 para articular ações de combate à corrupção e à lavagem de dinheiro, e o MJSP destaca que o modelo ganhou reconhecimento no Relatório de Avaliação Mútua do Brasil publicado pelo GAFI em 2023, ao citar o papel da rede e dos LAB-LD no fortalecimento da estrutura nacional de prevenção e investigação.
Estratégia de crescimento de comunidade
Do ponto de vista do nosso especialista em crescimento de comunidade, esse tema tende a gerar polarização entre “privacidade” e “combate ao crime”. A comunicação mais eficiente é fugir de slogans e trabalhar com três pilares: educação, transparência e utilidade pública. Educação, explicando de forma acessível o que a rede faz e o que não faz, para reduzir ruído e interpretações equivocadas. Transparência, deixando claro que há governança, compliance e foco em investigação patrimonial e financeira com base em procedimentos, e não em perseguição a usuários comuns. Utilidade pública, mostrando resultados concretos e como a padronização e o compartilhamento técnico elevam a capacidade do Estado de enfrentar fraudes e organizações criminosas sem depender de ações isoladas.
Ao colocar o rastreio de criptoativos e a modernização de métodos digitais no centro do planejamento de 2026, a Rede-Lab sinaliza uma resposta institucional à sofisticação do crime financeiro no ambiente online. Se a integração do GRINPA e a atualização contínua do acervo técnico avançarem como prometido, a tendência é de ganho de consistência: menos dependência de treinamentos pontuais e mais padronização de procedimentos para investigações complexas em todo o país.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





