O Méliuz (CASH3) informou ao mercado que já recomprou 4.985.000 ações por meio de contratos de derivativos com contrapartes, o equivalente a cerca de 54,6% do programa autorizado em outubro de 2025. A companhia afirma que, em pouco mais de três meses, a operação resultou em um Bitcoin Yield Ajustado de 4,38%, o que corresponde a um Bitcoin Yield mensal de 1,23%.
A métrica, ainda pouco comum no mercado brasileiro, busca traduzir como a exposição do acionista ao Bitcoin evolui ao longo do tempo. No modelo descrito pelo Méliuz, o Bitcoin Yield Ajustado considera apenas as ações efetivamente em circulação, desconsiderando papéis recomprados no programa. Em termos práticos, ao reduzir o número de ações no mercado, a fatia de Bitcoin “por ação” aumenta mesmo sem novas compras de BTC, desde que a tesouraria em Bitcoin seja mantida.
O comunicado também detalha a base financeira que sustenta a estratégia. O Méliuz reportou possuir 604,69 bitcoins e R$ 67,3 milhões em caixa, somando cerca de R$ 279,6 milhões em ativos líquidos, com referência ao balanço do 3T25. A empresa declarou ainda não ter endividamento e citou que, nos doze meses findos no 3T25, gerou R$ 94,7 milhões de EBITDA e R$ 53,3 milhões de lucro líquido.
No pano de fundo, a companhia vem sendo tratada como um caso emblemático no Brasil por ter adotado uma estratégia formal de Bitcoin treasury, inspirada em iniciativas vistas no exterior. Em 2025, a empresa chegou a acessar o mercado para levantar recursos destinados à aquisição de bitcoin, segundo registros e cobertura de mercado.
Estratégia de comunidade: como transformar um indicador novo em confiança
Aqui o melhor caminho não é “torcer pelo yield”, e sim tornar o conceito auditável para o público. A estratégia com nosso especialista em crescimento de comunidade é criar um ritual de acompanhamento simples: um quadro semanal com três números fixos (BTC em tesouraria, ações em circulação e sats por ação), mais um bloco curto explicando o que mudou no período (recompra, cancelamento, variação do BTC e impacto no yield). Complementa com um glossário de 60 segundos para mNAV, yield ajustado e recompras via derivativos. Isso reduz ruído, aumenta retenção e evita que o debate vire apenas preço do BTC.
O Méliuz está usando a recompra de ações como instrumento para elevar a exposição dos acionistas ao Bitcoin sem necessariamente ampliar o estoque de moedas no curto prazo. O Bitcoin Yield Ajustado de 4,38% reportado pela companhia sintetiza esse efeito, enquanto os dados de caixa, ausência de dívida e resultados operacionais são apresentados como sustentação para a estratégia. A qualidade do resultado, porém, dependerá da disciplina de capital e da transparência contínua sobre ações em circulação, metodologia do indicador e gestão do tesouro em BTC.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





