Os desenvolvedores do Bitcoin Core publicaram em 5 de janeiro de 2026 um alerta sobre um bug de migração de carteiras nas versões 30.0 e 30.1. Em cenários raros, se a migração de um arquivo
wallet.datfalhar, o processo pode apagar todos os arquivos dentro do diretório de carteiras, com risco de perda de fundos caso o usuário não tenha um segundo backup.Como medida de precaução, o projeto removeu do site oficial os binários de download das versões afetadas e informou que uma correção será lançada como versão 30.2. Até lá, a recomendação é não realizar migrações via interface gráfica (GUI) nem via RPC. Usuários que já utilizam carteiras existentes e não estão migrando não são considerados afetados.
O aviso detalha que o problema exige condições específicas, incluindo a presença de uma carteira padrão (não nomeada)
wallet.dat, que não é criada por padrão desde a versão 0.21, além de uma falha ao carregar ou migrar esse arquivo. Um dos gatilhos possíveis citados é quando o modo “pruning” está ativado e a carteira é fechada enquanto o pruning ocorre.Apesar de o bug ser descrito como raro, o tema ganhou tração porque a família v30 já aparece com adoção relevante entre nós públicos. No Coin Dance, a versão identificada como
/Satoshi:30.0.0/aparece com 3.943 nós em um universo de 24.462 nós públicos (cerca de 16,1%).Contexto: por que a v30 já vinha sendo debatida
O Bitcoin Core v30 já tinha sido alvo de controvérsia por mudanças ligadas ao OP_RETURN, com flexibilização para inserção de dados arbitrários em transações, tema que reabriu discussões sobre “spam” on-chain e política de relay. PO que fazer agora, na prática
Evite migrar carteiras em instalações 30.0 e 30.1 até a chegada da 30.2, conforme a orientação oficial.
Garanta backups redundantes (mais de uma cópia) antes de qualquer migração ou manutenção de carteira, porque o risco descrito envolve apagamento local de arquivos.
Se você roda nó com pruning e precisa fazer mudanças, trate o procedimento como manutenção crítica e minimize operações simultâneas durante processos de limpeza e migração.
Estratégia de comunidade: transformar alerta técnico em educação acionável
Nosso especialista em crescimento de comunidade recomenda usar o caso como gatilho para uma campanha curta e útil, sem alarmismo: uma sequência de posts com checklist de “atualização segura”, um guia simples sobre diferença entre rodar nó e usar carteira, e um lembrete de boas práticas de backup e recuperação. O objetivo é converter a atenção do público em comportamento correto, reduzindo perdas por erro operacional e diminuindo ruído em torno do tema.O episódio reforça um ponto básico do ecossistema: mesmo softwares maduros podem ter falhas, e a camada de segurança mais importante continua sendo o procedimento do usuário, especialmente backups e cautela em migrações. A remoção dos binários e a promessa de uma versão 30.2 indicam resposta rápida, mas até a correção chegar, a postura mais racional é seguir a recomendação oficial e evitar migrações nas versões afetadas.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





