Um relatório técnico divulgado pela Chaincode Labs em 26 de maio alerta para os riscos que a computação quântica representa ao ecossistema do Bitcoin. Assinado pelos pesquisadores Anthony Milton e Clara Shikhelman, o documento reúne 55 páginas de análises e foi revisado por especialistas de renome, como Gloria Zhao (Bitcoin Core), Ethen Heilman (Cloudflare) e Shai Wyborski (criptografia quântica).
O estudo estima que entre 4 a 10 milhões de bitcoins — cerca de metade da oferta total — estão vulneráveis à quebra de segurança via derivação de chaves privadas a partir de chaves públicas, uma capacidade potencial dos computadores quânticos. Endereços antigos, especialmente da chamada “era Satoshi”, são apontados como os mais expostos, assim como aqueles que reutilizam endereços, prática comum entre corretoras.
Endereços mais modernos, como os do tipo Taproot (P2TR), seriam mais fáceis de proteger com atualizações no protocolo, mas ainda detêm apenas 0,74% do total de bitcoins em circulação, embora representem 32,5% das transações recentes.
Além da ameaça aos fundos, a mineração também poderia ser afetada. Computadores quânticos teriam potencial para explorar vulnerabilidades na validação de blocos, provocando forks momentâneos e aumentando o risco de ataques de 51%. No entanto, a dificuldade de escalar a mineração quântica e sua baixa eficiência energética reduziria a viabilidade prática desse cenário no curto prazo.
Segundo o relatório, uma transição para resistência quântica no Bitcoin pode levar de dois a sete anos, considerando as etapas necessárias de pesquisa, desenvolvimento e migração. O estudo reforça a urgência do tema, destacando que qualquer solução precisa ser implementada antes que a computação quântica se torne uma ameaça concreta, estimada para a próxima década.
Co-Owner e consultor de Tokenização na Tokenizem





