A delegação brasileira liderada pelo Coaf participou, em fevereiro de 2026, da Plenária do Gafi na Cidade do México, levando para o centro da agenda a discussão sobre como reforçar a prevenção à lavagem de dinheiro no ecossistema de ativos virtuais. A comitiva incluiu representantes de órgãos com atuação direta em supervisão, investigação e regulação, como Banco Central, Receita Federal, Polícia Federal, CVM, Susep e Itamaraty, além de estruturas jurídicas do governo.
O encontro ocorreu no contexto de uma mudança de prioridade do Gafi para 2026–2028, com foco em efetividade prática dos controles, cooperação entre jurisdições e resposta a crimes digitais. A própria pauta do plenário apontou a aprovação de novos trabalhos e publicações voltados a riscos em ativos virtuais e fraudes cibernéticas, sinalizando pressão crescente sobre a forma como países supervisionam provedores e rastreiam fluxos transfronteiriços.
Cerco a exchanges offshore, stablecoins e autocustódia
Entre os temas mais sensíveis discutidos, ganhou força o risco de provedores de serviços de ativos virtuais sediados em jurisdições offshore com baixa supervisão. A preocupação é que criminosos explorem lacunas entre países para mover recursos, pulverizar rastros e “comprar” complacência regulatória. O plenário aprovou trabalhos específicos para mapear desafios e boas práticas de mitigação desse tipo de risco.
O Gafi também avançou em relatórios temáticos sobre stablecoins e carteiras de autocustódia. O objetivo é orientar governos sobre como reduzir uso ilícito sem travar inovação, tratando pontos como rastreabilidade, originação de fundos, travel rule, controles de entrada e saída em gateways e riscos de conversão em moeda fiduciária.
Fraudes digitais entram no topo das prioridades
Outro eixo reforçado foi o combate a fraudes cibernéticas habilitadas por tecnologia, que muitas vezes transbordam o mercado cripto e atingem o sistema financeiro tradicional. O plenário aprovou iniciativas para elevar o tema nos próximos ciclos, o que tende a pressionar instituições e plataformas a melhorar detecção de golpes, congelamento de valores e cooperação para recuperação de ativos.
Como isso vira estratégia de comunidade sem ruído
Para crescimento de comunidade, esse assunto funciona melhor quando vira utilidade: explicar em linguagem simples o que muda para exchanges, gateways de stablecoins e usuários de autocustódia. A estratégia com nosso especialista em crescimento de comunidade é transformar a pauta em um mini guia em três partes: o que o Gafi está mirando, quais práticas devem virar padrão para plataformas, e quais cuidados o usuário precisa adotar para reduzir risco de bloqueios, golpes e exposição a provedores offshore pouco supervisionados.
A participação do Brasil no plenário do Gafi no México mostra que o país quer influenciar e se antecipar ao desenho do “próximo nível” de supervisão global de cripto: mais foco em offshore, stablecoins e autocustódia, e menos tolerância com assimetrias entre jurisdições. Para o mercado, o recado é direto: o padrão internacional está migrando de regras no papel para cobrança de resultados e evidências operacionais.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





