Dois dos maiores bancos brasileiros, Bradesco e Itaú Unibanco, confirmaram que participarão de um projeto global liderado pela Swift, cooperativa internacional que conecta mais de 11.500 instituições financeiras em 200 países. A iniciativa busca modernizar as transferências internacionais com uma infraestrutura construída sobre o Ethereum, aproveitando o potencial da tecnologia blockchain.
O anúncio foi feito durante a conferência Sibos, em Frankfurt, e envolve mais de 30 instituições financeiras de peso, entre elas Citi, Deutsche Bank, HSBC, JP Morgan e Santander. O projeto prevê a criação de um livro-razão digital compartilhado, desenvolvido em parceria com a Consensys, que permitirá pagamentos em tempo real, funcionando 24 horas por dia, 7 dias por semana.
O que muda para os bancos e clientes
O Bradesco destacou que o objetivo é aumentar a eficiência e a segurança em operações internacionais, oferecendo aos clientes uma experiência mais rápida e transparente. O Itaú reforçou que a participação no piloto é uma forma de ampliar sua presença global e se alinhar às novas exigências do setor financeiro, que busca reduzir custos e simplificar processos.
O sistema proposto não substitui as redes já existentes, mas as complementa. Na prática, ele permitirá que bancos liquidem valores tokenizados em blockchain sem abandonar os sistemas fiduciários tradicionais, como o câmbio oficial. Além disso, contratos inteligentes poderão automatizar regras e etapas, reduzindo riscos e erros.
Ethereum como base da integração
A escolha do Ethereum como infraestrutura central garante escalabilidade e abre espaço para integração com soluções já em uso, como stablecoins e projetos de tokenização. Essa ponte entre bancos tradicionais e o universo da DeFi é vista como estratégica para aumentar a interoperabilidade e acelerar a adoção de ativos digitais em larga escala.
Segundo Javier Pérez-Tasso, CEO da Swift, a iniciativa é parte de uma visão de longo prazo: “Estamos abrindo caminho para que as instituições financeiras ofereçam uma nova experiência de pagamentos internacionais, unindo eficiência e inovação.”
Relevância para o mercado brasileiro
Com o Brasil se consolidando como um dos maiores mercados de criptomoedas da América Latina, a entrada de Bradesco e Itaú nesse piloto pode representar um marco importante. A possibilidade de enviar e receber pagamentos internacionais em tempo real pode impactar tanto grandes empresas quanto pessoas físicas que dependem de transferências rápidas e seguras.
Estratégia e próximos passos
Essa integração reflete a tendência de que as criptomoedas e a tokenização não irão substituir o sistema financeiro existente, mas sim reinventá-lo. A participação de bancos brasileiros reforça a posição do país como um polo relevante na transformação digital do setor financeiro.
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Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





