A Bitwise anunciou o lançamento do Bitwise Proficio Currency Debasement ETF, negociado sob o ticker BPRO, um produto que reúne bitcoin, ouro, prata, outros metais preciosos e ações de mineradoras em uma carteira de gestão ativa. O fundo começou a ser negociado em 22 de janeiro de 2026 e foi desenhado para investidores que buscam proteção contra a perda de poder de compra de moedas fiduciárias.
O BPRO parte de uma regra simples: manter, em qualquer momento, pelo menos 25% do portfólio em ouro. A partir desse “piso”, a alocação pode ser ajustada entre prata, platina, paládio e empresas ligadas à extração e produção desses metais, além de exposição a bitcoin. A proposta é que o portfólio seja recalibrado conforme o cenário de mercado muda, usando a experiência da Bitwise em ativos digitais e da Proficio em metais preciosos.
O discurso por trás do produto mira um problema macroeconômico que voltou ao centro do debate global: expansão monetária, aumento de dívida pública e tensões geopolíticas. Para os gestores, esse ambiente reduz o apelo de ativos atrelados a políticas nacionais e aumenta a demanda por “reservas de valor” vistas como escassas, tanto na forma tradicional do ouro quanto na forma digital do bitcoin.
Um detalhe relevante é a forma de acesso ao cripto. No material do próprio fundo, a Bitwise afirma que o BPRO não mantém cripto à vista diretamente. A exposição pode ocorrer de forma indireta, por meio de derivativos ou ETPs que detenham cripto à vista. A taxa total de despesas informada no anúncio de lançamento é de 0,96%.
Estratégia de comunidade com foco em educação, não em hype
Nosso especialista em crescimento de comunidade recomenda tratar o BPRO como um caso prático para explicar “carteiras anti desvalorização” sem transformar o assunto em torcida. A ideia é criar uma trilha curta em três episódios: (1) o que é desvalorização de moeda e por que ouro aparece como referência, (2) por que o produto coloca bitcoin ao lado de metais e como isso muda o risco, (3) o que significa gestão ativa e quais perguntas um investidor precisa fazer antes de usar um ETF como hedge. Para engajar, cada episódio termina com um checklist de leitura do produto, como composição mínima, instrumentos usados para exposição a cripto e custos, sempre ancorado em informações públicas do próprio fundo.
O BPRO tenta traduzir uma tese antiga em um formato novo: proteger o patrimônio quando a confiança em moedas fiduciárias se deteriora, combinando metais preciosos e bitcoin em um mesmo veículo negociado em bolsa. O sucesso do produto vai depender menos do discurso e mais da execução da alocação ativa, da transparência sobre os instrumentos usados e de como o mercado vai precificar essa mistura de “escassez histórica” e “escassez digital” em diferentes regimes macroeconômicos.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





