O Bitcoin (BTC) disparou acima dos US$ 71.000 nesta quarta-feira (4), registrando alta superior a 6% em 24 horas e surpreendendo o mercado ao demonstrar resiliência inédita em meio à escalada do conflito no Oriente Médio.
O movimento marca uma recuperação expressiva após o BTC ter tocado a região dos US$ 65.000 no início da semana, quando os ataques aéreos de EUA e Israel contra o Irã sacudiram os mercados globais.
Bitcoin supera o ouro como refúgio
O dado mais significativo desta quarta é a divergência entre Bitcoin e ouro. Enquanto o metal precioso — historicamente o porto seguro por excelência — recuou de US$ 5.400 para US$ 5.160 por onça, o Bitcoin fez o caminho oposto e avançou com força.
A gestora Tagus Capital destacou em seu relatório diário que “o Bitcoin pode agora exibir características defensivas durante períodos de crise, mas o recuo do ouro mostra que nem mesmo refúgios clássicos são imunes à dinâmica do mercado, posicionando o Bitcoin como uma alternativa mais flexível, ainda que de alta volatilidade”.
O bilionário Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates, discordou publicamente dessa narrativa. Em participação no podcast All-In, Dalio afirmou que “existe apenas um ouro” e que o Bitcoin não deveria ser comparado ao metal por não ter lastro em bancos centrais, oferecer pouca privacidade e enfrentar riscos de computação quântica. Curiosamente, Dalio mantém cerca de 1% de seu portfólio em Bitcoin.
ETFs de Bitcoin acumulam US$ 1,45 bilhão em cinco dias
Os ETFs spot de Bitcoin nos Estados Unidos registraram entradas líquidas de US$ 1,45 bilhão em cinco dias consecutivos, segundo dados da CoinDesk. Analistas da Bitfinex, no entanto, alertam que esses fluxos podem ser mal interpretados como demanda imediata no mercado à vista.
“Os fluxos de ETF não se traduzem automaticamente em pressão compradora no spot. Parte significativa dessas entradas pode estar ligada a estratégias de arbitragem e hedge”, explicou a equipe de análise da Bitfinex.
Irã bloqueia Estreito de Ormuz e pressiona petróleo
O cenário geopolítico continua tenso. O Irã passou a bloquear o tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz, rota responsável por cerca de 20% do petróleo consumido globalmente. A medida elevou o preço do barril e pressionou mercados asiáticos — o índice Kospi da Coreia do Sul registrou sua pior queda em dois dias desde 2008.
Apesar do caos nos mercados tradicionais, o Bitcoin manteve comportamento relativamente estável, com seu piso sendo respeitado na faixa dos US$ 65.000.
Altcoins acompanham a alta
As principais altcoins seguiram o movimento do BTC. Ethereum (ETH), XRP e Solana (SOL) avançaram entre 4% e 6%. O CoinDesk 20 Index, que mede o desempenho das 20 maiores criptomoedas, subiu mais de 5%, atingindo 2.025 pontos.
O que esperar
Com o conflito no Oriente Médio ainda sem sinais de desescalada, o comportamento do Bitcoin como ativo de refúgio alternativo estará sob escrutínio nos próximos dias. A marca dos US$ 72.000 é a próxima resistência relevante — rompê-la pode abrir caminho para novas máximas de curto prazo.
Para investidores, o recado é claro: o mercado crypto está amadurecendo. A narrativa do “ouro digital” nunca foi tão testada — e até agora, o Bitcoin está passando no exame.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





